quarta-feira, junho 11, 2014

Pensalamentos #245 - vida

andar
como o rio que suspenso vai
em seu passo apressado
pela vida e pelas suas cores
percebendo, titubeante,
que nas curvas e baixios
é a compreensão desse compasso
que permite que a navegação continue
cega, surda e muda

O que se seguirá, Amaro?


Dois segundos de pensamento relaxado obrigaram-me a lançar a seguinte questão: O que se seguirá, Amaro? É que os dias soalheiros (e, sim, houve fama, pelo menos televisiva, para a Guarda) parecem ter terminado com as "grandes" realizações: a FIT e o 10 de Junho. 
Por isso, desculpem trazer isto. É agora que vamos ficar a saber o que vai acontecer com as empresas municipais?

terça-feira, junho 10, 2014

Pensalamentos #244 - apátrida

alimentar a alma
com um sentimento apátrida

A visita encenada ao Juízo, pelo GAM e eu


Em trabalhos intensos e cheios de vontade! 
Eis o estado de espírito dos actores do Teatro do Imaginário, do Grupo dos Amigos do Manigoto (GAM), quando faltam menos de duas semanas para um novo e diferente desafio teatral. A visita encenada à aldeia do Juízo, promovida pelas Casas do Juízo, é no dia 21 de Junho e, até lá, muito trabalho e muitos ensaios serão feitos para tudo bem. Não sendo uma novidade para os nossos lados a existência deste tipo de trabalhos teatrais (veja-se que o TMG foi um dos responsáveis por, anualmente, ter actores a mostrar a cidade da Guarda), é uma inovação ao nível das aldeias Só por isso já a pequena aldeia do Juízo (Azevo, Pinhel) e os responsáveis pelas Casas do Juízo estão de parabéns pela visão cultural que apresentam.
São seis actores, entre os quais estarei eu, a dar vida a uma visita que contará histórias, explicará espaços e situações históricas. O texto e a encenação são propostas minhas a partir das estórias que me foram contadas no Juízo, mas o trabalho evoluiu para uma espécie de proposta.
Zé, Maria, Fernanda, Daniel (o novo), Ana... e eu (já agora!)! Vamos lá divertir-nos!

Tudo vai começar aqui:


Espero ver-vos por lá!

segunda-feira, junho 09, 2014

Pensalamentos #243 - HH comercial

ver HH tornar-se comercial e transformar-se num objecto de consumo e não de fruição é algo que me assusta. estará a poesia a ser lida ou consumida como mero produto de compra e venda? estará a poesia, a infame e incompreensível - como muitos lhe chamam -, a ser olhada com novos e admiráveis olhos de espanto? ou estará, pobre e nua, a ser objecto de aproveitamento, tal como os escravos sem voz ou beira?
ver HH,  silencioso e misterioso, a transformar-se numa voz da rádio... 
ouvir HH é sinal de demência da poesia?
ouvir HH é...
HH o que é agora?

domingo, junho 08, 2014

sexta-feira, junho 06, 2014

Agora os condecorados de Cavaco no 10 de Junho na Guarda


Fiz no post anterior a previsão de algumas pessoas que seriam condecoradas no 10 de Julho. A lista oficial foi conhecida hoje e é a seguinte (a negrito estão aqueles que consegui acertar):
 
"O Presidente da República vai condecorar, na Sessão Solene Comemorativa do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, a realizar na Guarda, no próximo dia 10 de junho, as seguintes entidades:


Antigas Ordens Militares

  • Dr. António Manuel de Carvalho Ferreira Vitorino – Ordem Militar de Cristo (Grã-Cruz)
  • Juiz Conselheiro Vítor Manuel da Silva Caldeira – Ordem Militar de Cristo (Grã-Cruz)
  • Vice-Almirante José António de Oliveira Viegas – Ordem Militar de Avis (Grã-Cruz)
  • Tenente-General António José Maia de Mascarenhas – Ordem Militar de Avis (Grã-Cruz)
  • Major-General Sílvio José Pimenta Sampaio – Ordem Militar de Avis (Grande-Oficial)
  • Dr. Mário Costa Martins de Carvalho – Ordem de Sant’Iago da Espada (Grande-Oficial)
  • Prof. Doutor Rui L. Reis – Ordem de Sant’Iago da Espada (Comendador)
  • Doutor Rui M. Costa – Ordem de Sant’Iago da Espada (Comendador)
  • Rui Chafes – Ordem de Sant’Iago da Espada (Oficial)

Ordens Nacionais

  • Dr. António Castel-Branco do Amaral Borges – Ordem do Infante D. Henrique (Grã-Cruz) – A título póstumo
  • Prof. Doutor Manuel António Garcia Braga da Cruz – Ordem do Infante D. Henrique (Grã-Cruz)
  • Dr. Miguel António Igrejas Horta e Costa – Ordem do Infante D. Henrique (Grã-Cruz)
  • Prof. Doutor Eduardo Lourenço – Ordem da Liberdade (Grã-Cruz)
  • Dr. Álvaro dos Santos Amaro – Ordem do Infante D. Henrique (Grande-Oficial)
  • Prof. Doutor António Ressano Garcia Lamas – Ordem do Infante D. Henrique (Grande-Oficial)
  • Maria João Avillez Van Zeller – Ordem do Infante D. Henrique (Grande-Oficial)
  • Rodrigo Costa Leão Munoz Miguez – Ordem do Infante D. Henrique (Grande-Oficial)
  • Luís Manuel Godinho de Matos – Ordem do Infante D. Henrique (Comendador)
  • Maria Cristina de Castro – Ordem do Infante D. Henrique (Comendador) - A título póstumo

Ordens de Mérito Civil

  • Prof. Doutor Jorge Quina Ribeiro de Araújo – Ordem da Instrução Pública (Grã-Cruz)
  • Dr. António Mota de Sousa Horta Osório – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Comercial (Grã-Cruz)
  • Eng.º Zeinal Abedin Mohamed Bava – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Comercial (Grã-Cruz)
  • Eng.º António Afonso Reynaud de Melo Pires – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Indistrial (Grande-Oficial)
  • Alfredo Henriques – Ordem do Mérito (Comendador)
  • Eng.º António Jorge Nunes – Ordem do Mérito (Comendador)
  • Dr. António Magalhães da Silva – Ordem do Mérito (Comendador)
  • Maria da Luz Rosinha – Ordem do Mérito (Comendador)
  • Dra. Maria das Dores Meira – Ordem do Mérito (Comendador)
  • Dr. Sebastião Francisco Seruca Emídio – Ordem do Mérito (Comendador)
  • Mário Sérgio Alves Nuno – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Agrícola (Comendador)
  • Alberto Machado Ferreira – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial (Comendador)
  • Dra. Isabel Maria Mendes Furtado – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial (Comendador)
  • João Miranda – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial (Comendador)
  • José Eduardo Marques de Amorim – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial (Comendador)
  • Manuel Barbeiro Costa – Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Industrial (Comendador)
  • Manuel Madeira Grilo – Ordem do Mérito (Oficial)
  • Jorge Nunes - Ordem do Mérito Empresarial – Classe do Mérito Comercial (Oficial)
  • Escola Regional Outeiro de S. Miguel – Ordem do Mérito (Membro Honorário)"

quinta-feira, junho 05, 2014

10 de Junho na Guarda: os condecorados são...


Por certo já todos saberão quem vão ser os condecorados pelo Presidente da República no dia 10 de Junho na cidade da Guarda. No entanto, como eu estou aqui para o outro lado da serra onde o vento nem sempre passa, nada chegou sobre os "nomes" que receberão tão almejada condecoração. Assim sendo, vou deitar-me a adivinhar, com aquele grau de acerto que me caracteriza. Ou seja, com a grande possibilidade de não acertar nenhum dos nomes. Mas, tal como faço ocasionalmente com o Euromilhões, farei a minha aposta em alguns nomes e tentarei juntar-lhe uma pequena nota justificativa daquilo que poderá pesar para essa atribuição ser afastada do simples afago amigável. Quero, para que não me critiquem sem razão mas com alguma dose de sentido, deixar bem claro que não faço a mínima ideia se alguns destes nomes já terão sido condecorados noutros anos (e não me apeteceu fazer grandes pesquisas para o garantir, pois isto não passa de um exercício divertido sobre a cidade e o país).

Para começar, gosto de pensar que Cavaco Silva dará um bom rebuçado aos seus amigos mais próximos ou antigos Ministros e Secretários de Estado, logo Marília Raimundo (talvez pelo seu papel no Apoio Social com a Fundação Augusto Gil) será, na minha opinião, uma das condecoradas. Ao mesmo nível estará Álvaro Amaro (talvez pelo papel no desenvolvimento do interior (?) e na "batalha" que trava contra a sua desertificação) que, todos sabemos, foi também um secretário de estado de Cavaco.

Depois, porque fica sempre bem na fotografia ter alguns nomes da oposição, penso que será uma boa altura para Almeida Santos, histórico do PS e antigo Presidente da Assembleia da República, receber uma condecoração na "sua terra". E será pelo papel importante no desenvolvimento da democracia e na defesa de Portugal.

Como empresários que são, vejo uma possível distinção de Luís Veiga, dono da cadeia IMB Hotels, e do antigo primeiro-ministro Pinto Balsemão. Também pelo valor acrescentado de serem oriundos na Guarda e por serem bem sucedidos.

Depois, e pelo grande destaque que sempre pareceu ter ao nível da política nacional e do associativismo automóvel, o nome de Luís Celínio também surge como uma das possibilidades na minha mente, apesar de não conhecer a fundo todo o papel e trabalho dele nesta área.

Na área unicamente do mérito individual que a ciência permite, os nomes fortes são Rui Costa e Carvalho Rodrigues. Dois cientistas guardenses que são nomes fortes para a lista de condecorados e que, julgo, serão merecidamente condecorados.

Na área das artes e literaturas, dois nomes surgem desde logo: Eduardo Lourenço, por ser um dos nomes portugueses mais respeitados ao nível do "pensamento" cultural e literário mundial; e Américo Rodrigues, pelo trabalho realizado ao longo de cerca de 40 anos no elevar dos padrões culturais e artísticos de uma região e pelo trabalho poético e teatral que a sua já vasta obra encerra.

Por fim, outros nomes poderia aqui colocar, como o de Pinto Monteiro, Santinho Pacheco, Alípio de Melo, Adriano Vasco Rodrigues, o dono da empresa Gelgurte, ...

São, portanto, meia dúzia de nomes de que me lembrei e que quis deixar na ordem do dia para ver se percebo alguma coisa desta coisa da escolha dos condecorados Os nomes correctos devem estar quase a ser lançados para a comunicação social e, nessa altura, farei um comentário breve às condecorações do 10 de Julho que forem efectivamente feitas.

Pensalamentos #241 - cego

respirar
pelos olhos
ocultando a realidade
que se finge não ver

terça-feira, junho 03, 2014

Nota Guardense: Amaro é Scolari



É bonito quando a "energia positiva" é para ser partilhada! 
Parece que o presidente da Câmara da Guarda, Álvaro Amaro, terá citado Scolari e dito (neste caso) aos guardenses "para colocarem nas suas janelas, varandas e fachadas a bandeira nacional, símbolo da Pátria, que representa a soberania da Nação e a independência, a unidade e a integridade de Portugal" (segundo o jornal i). Até me chegaram as lágrimas aos olhos!
E chorei mesmo quando, segundo a mesma fonte, Amaro terá referido que gostaria "que essa energia positiva chegue também à Seleção Nacional", que lá pelo Brasil estará em competição!

Para não dizerem que sou um desmancha-prazeres, aqui fica a minha bandeira, na minha janela para a Guarda e para o mundo!

Pensalamentos #240 - vida

contar a vida 
com sopros

domingo, junho 01, 2014

Li: "O Menino Rei", de Carlos Carvalheira




Os espaços vazios: O Menino Rei, de Carlos Carvalheira



Os homens precisam de monstros para se tornarem humanos.

(José Gil)




Há quem diga que o espaço do “já contado” é território proibido e que qualquer acrescento ou substituição de tópicos será crime de “lesa majestade”. A ser assim o entendimento do leitor do processo criativo que está implícito na escrita, fica o conselho: não leiam este livro, livrinho ou opúsculo!

Assente nos textos bíblicos de Mateus, o mais atento dos autores do Novo Testamento à questão do nascimento, sobrevivência e crescimento de Jesus da Galileia, o autor, Carlos Carvalheira, concebe um pequeno conto que vai preencher muitos dos espaços vazios que se se reconhecem nos textos dos Evangelhos. Carvalheira desconstrói a visão ocidentalizada da ira de Herodes (como se sabe, o governador sanguinário) e constrói-a segundo uma “visão nova” onde o perseguidor do Menino se torna num dos centros da acção. E aí está a riqueza desta narrativa “em dois andamentos”. Por um lado, o nascimento e a fuga para o Egipto com a finalidade de proteger o recém-nascido. Pelo outro, a notícia do nascimento e a perseguição movida por Herodes. A novidade, que também apelidaremos como “Toque de Midas criativo”, está no tratamento que o autor dá aos espaços não preenchidos nos textos bíblicos e que consistem na categorização do medo sentido pelos fugitivos e pelo perseguidor. Se os fugitivos temem pela vida do “Menino de olhos grandes e com caracóis nos cabelos” e pelas suas próprias, o perseguidor, com traços de monstro insaciável, teme pelo fim do seu espaço (consubstanciado, ironicamente, em toda a opulência da posse de bens materiais e do direito a mandar) enquanto “todo-poderoso”. O autor, segundo nos parece, estabelece aqui um curioso e bem conseguido paralelismo com os tempos actuais, onde a perseguição ao mais fraco com a finalidade de se manterem os lugares de destaque permanece uma evidência social impossível de se menosprezar ou esconder. Neste ponto, uma interrogação parece ganhar destaque e hipóteses de ressoar para além da leitura: até que ponto estamos dispostos a chegar para conseguirmos manter o estatuto social? Não existe uma resposta, ou não se pretenderá dar resposta a esta pergunta, funcionando o conto como catalisador da reflexão para além das barreiras da própria história. Como refere José Gil (no texto “Metafenomenologia da monstruosidade: o devir-monstro”), e como nos parece que Carlos Carvalheira pretende com o seu conto, nós exigimos mais dos monstros, pedimos-lhes, justamente, que nos inquietem, que nos provoquem vertigens, que abalem permanentemente as nossas mais sólidas certezas; porque necessitamos de certezas sobre a nossa identidade humana ameaçada de indefinição. Os monstros, felizmente, existem não para nos mostrar o que não somos, mas o que poderíamos ser. Entre estes dois pólos, entre uma possibilidade negativa e um acaso possível, tentamos situar a nossa humanidade de homens.” Ou seja, o conto vem revelar que a sociedade de hoje precisa de “monstros” que permitam a nossa localização enquanto homens, entendendo-se estes homens como elementos harmonizadores de uma existência comum. Herodes ganha, portanto, o direito de ser o centro da acção desde a primeira até à última página, só perdendo esta centralidade nas últimas linhas do conto quando (levantem-se em defesa da pureza do “verbo inicial”) o Menino Rei lhe dirige algumas palavras plenas de ocasião e de ingenuidade. Os dois planos narrativos interagem por fim e a distância que os afasta transforma-se no inusitado e no criativo do momento, rendendo-se o “monstro” perante a fragilidade do Menino.

Um conto em forma infantil (notem-se as repetições, as aliterações e a recorrência, na sua maioria, a um vocabulário simples e claramente perceptível), mas com um subtexto forte e socialmente capaz de provocar no leitor atento uma visão diferente da forma como o mundo de hoje se manifesta.



Guarda, Abril de 2014

Daniel António Neto Rocha

(recensão crítica publicada In: Revista Praça Velha n.º 34. – Guarda: NAC/ CMG, Maio de 2014. – p. 224 a 225.)

sábado, maio 31, 2014

Pensalamentos #239 - dúvida

criar feridas
como quem cria filhos
amá-las
acariciá-las
e, numa alucinação permanente,
duvidar
a alma cheia
de vazio

quarta-feira, maio 21, 2014

O Américo e o seu "Porta-voz" em Coimbra



É sempre um gosto ver a Universidade de Coimbra a actualizar a sua componente formativa e a procurar a qualidade nas áreas mais fascinantes. Então o facto de ver a "minha" Faculdade receber um amigo, que é só a grande referência portuguesa e um dos grandes nomes europeus da poesia sonora, enche-me de grande orgulho. O Américo Rodrigues vai a Coimbra mostrar e falar sobre o seu último trabalho poético: "Porta-Voz".

A quem andar e estiver em Coimbra, aconselho que não perca. Criatividade ligada a muita qualidade!

"Américo Rodrigues apresentará ao vivo a obra «Porta-Voz» no próximo dia 23 de maio de 2014, pelas 21h30, na Casa das Caldeiras, em Coimbra. Esta apresentação é uma organização do Programa de Doutoramento em Materialidades da Literatura (Programa Doutoral FCT) e integra igualmente a programação do ciclo «Paisagens Neurológicas» (TAGV, maio de 2014, org. de Isabel Maria Dos)."

Vídeo das apresentações Teatrais em Pinhel

E aí está o vídeo da presença do Teatro do Imaginário na Feira das Tradições em Pinhel!




terça-feira, maio 20, 2014

A "louca" da Andreia e Fernando Pessoa, em Barcelona



Itália, Grécia, Espanha e a sua terra natal. Eis aquele que é o percurso "profissional" da mais "louca" das minhas amizades. 
E não se tem safado mal! Aliás, tem sido um prazer ver e saber dos feitos dela.
Agora está em Barcelona, onde tem um criativo TeaTuga (aulas de Língua Portuguesa com teatro pelo meio) e onde amanhã (dia 21) vai levar Fernando Pessoa aos ouvidos da cidade condal.




Uma "louca" a quem desejo uma grande dose de sucesso!



segunda-feira, maio 19, 2014

Pensalamentos #234 - frestas

o som da água 
do esquecimento
que escorre das mãos
de alguém
ressuma colorido
entre as frestas
incolores
de um aroma 
triste

domingo, maio 18, 2014

Teatro das Beiras (Covilhã): "RADIO CABARET"



Como outros terão o vício de tudo e de mais alguma coisa, eu tenho o vício de aconselhar bom teatro e com excelentes actores e encenadores. Sendo assim, e que tal não perderem por nada nesta vida o (tenho a certeza ainda sem ter visto) "RADIO CABARET"apresentado pelo Teatro das Beiras. Se não conhecem, vão até à Covilhã e perguntem onde fica o auditório do Teatro das Beiras.
A peça estreou no dia 15 Maio, mas haverá ainda sessões hoje (18) às 16h, assim como acontecerá no dia 25 (votem a tempo e vão ao teatro depois), e depois nos dias 22, 23 e 24 de Maio às 21h30.
A encenação é de um amigo e Mestre, Gil Nave, que tem um imenso defeito, pois tudo o que encena tem um toque de excelência.



Informação do Teatro das Beiras:

"RADIO CABARET" de Karl Valentin no auditório do Teatro das Beiras

estreia: 15 Maio às 21h30
em cena: 16, 17, 22, 23 e 24 de Maio às 21h30 e 18 e 25 Maio às 16h

sinopse:
“Radio Cabaret” é um espetáculo construído a partir dos textos do comediógrafo alemão Karl Valentin. Num ambiente social de um bairro popular é emitido a partir de um pequeno auditório, (o auditório da Emissora de Rádio do Bairro), um programa de variedades onde desfilam personagens-tipo, criados pelo imaginário daquele que foi um dos autores que no seu exercício de criação teatral, mais influenciou e determinou o chamado teatro de variedades europeu. Através de paródias, jogos de palavras, trava-línguas, enredos linguísticos, a construção deste espetáculo é estruturada tendo como ponto de partida alguns dos elementos mais representativos da sua obra; monólogos, diálogos, cenas, peças e canções, que são o universo da criação artística e teatral de Karl Valentin, organizadas numa linha estética que supõem poder interessar e agradar ao público contemporâneo português. O carácter clownesco e multidisciplinar inspirado em situações do real confluem para um universo ficcional onde ao real-programático se opõe o absurdo e o irreal-fantástico. Propagado e difundido pela produção artística no século XX no espaço europeu e de origem remota e distante no tempo (antiguidade clássica e idade média), o chamado teatro de variedades, que em Portugal era designado por Teatro de Revista, foi sempre um território de expressão artística onde a crítica e o sentido cómico, às vezes trágico, era consubstanciado em torno das questões sociais. As obras de Karl Valentin, como Charlie Chaplin ou Buster Keaton cujas características são exemplo de comunicação estética e artística, influenciaram a criação teatral do último século. Muita da criação teatral contemporânea está marcada por esta influência, visível no teatro do absurdo (Ionesco, Samuel Beckett , Adamov), surgido no rescaldo da Segunda Guerra Mundial, cuja atmosfera é marcada por um ambiente de devastação, isolamento e falta de comunicação na sociedade contemporânea, mostrada artisticamente por meio de alguns traços estilísticos e temas que divergem decididamente do teatro de carácter realista.

Ficha técnica:
Encenação: Gil Salgueiro Nave
Interpretação: Adriana Pais, Marco Ferreira, Pedro Damião e Sónia Botelho
Cenografia e figurinos: Luís Mouro
Desenho de Luz: Jay Collin
Operação de som e luz: Jay Collin
Fotos: Paulo Nuno Silva



sábado, maio 17, 2014

quarta-feira, maio 14, 2014

Pensalamentos #232 - moiras


vaguear
ferozmente
tricotando as linhas
e as quebras
do fio do jogo
da vida

tecer
com a calma aparente
os sons
as falhas
e as vitórias

cortar
com cruel desvelo
o sopro
merecido

moiras