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terça-feira, maio 17, 2016

Comprar: "een andere afloop" e "um outro fim"


Estão à venda, ainda, alguns exemplares de peça de teatro que publiquei no final de Abril. "um outro fim" e "een andere afloop" são dois opúsculos (32 e 48 páginas, respectivamente) que têm características diferentes.





O primeiro é uma edição mais simples. Com um trabalho belíssimo de capa de Edgar Silva a partir de uma fotografia de Jos van den Hoogen, esta edição tem apenas o texto em português e poderá ser comprada por 4 euros. Envio por correio acresce 0,50 euros ao preço final. (ver mais aqui: http://silenciosasdiscussoes.blogspot.pt/2016/03/um-outro-fim.html )

 



Já "een andere afloop" é uma edição especial - são apenas 34 exemplares - e com muito trabalho artístico. É constituído por um livro com um tipo de papel especial e com uma capa pintada (cada exemplar é trabalhado e pintado de forma diferente) pelo Jos van den Hoogen. Para além da pintura única por exemplar, será acompanhado por uma fotografia única (num tamanho aproximado de 14cmx22cm) que não será reproduzida para mais ninguém. Os fotógrafos Alexandre Costa, Pedro Carvalho e Ricardo Marta são os autores de 33 fotografias, existindo 1 (uma) que será tirada por mim. Esta edição é bilingue (português e neerlandês), tendo sido traduzida a peça pelo também pintor Jos. Para além destes elementos, será oferecido um exemplar da edição em português. Todos estes elementos artísticos serão ainda entregues dentro de uma caixa feita e trabalhada propositadamente para esta edição. O preço final será de 20 euros. Envio por correio acresce 1 euro ao preço final. (ver mais aqui: http://silenciosasdiscussoes.blogspot.pt/2016/03/een-andere-afloop-edicao-especial-e.html )


Caso estejam interessados, enviem email para silenciosasdiscussoes@gmail.com (com indicação no assunto: um outro fim) e dar-vos-ei as indicações para efectuar o pagamento e para o envio do exemplar. 

sexta-feira, abril 22, 2016

3 de Maio no Auditório do Escola Velha - Gouveia: apresentação de "um outro fim" e de "een andere afloop"




No próximo dia 3 de Maio de 2016, pelas 18h30, no Auditório do Escola Velha, em Gouveia, será feita a apresentação da edição em Português da peça um outro fim, de Daniel António Neto Rocha, e, também, a apresentação de 34 exemplares da edição especial bilingue (Português e Neerlandês) een andere afloop, traduzida e pintada por Jos van den Hoogen e complementada com trabalhos fotográficos de Alexandre Costa, Pedro Carvalho e Ricardo Marta.
Durante a sessão será lida integralmente a peça por dois actores o Escola Velha – Teatro de Gouveia.


Sinopse
Um outro fim é uma peça de teatro onde, no meio de uma casa em construção, uma pausa desperta um diálogo incomum e uma situação absurda. Duas pessoas, que não se conhecem mas que se relacionam profissionalmente, ficam então a saber mais sobre as estranhas errâncias do Fim.


Autor
Daniel António Neto Rocha (1982)
Nasceu na Guarda em 1982, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e Especializado em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).
            Escreveu para teatro as peças: Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2011 (em colaboração); Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2012; A Casa da Memória (2013); Um Outro Fim (2013); O Juízo das Casas (2014); Visita encenada ao Juízo (2014); Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2015 – In taberna quando sumus (2015); e História Breve de Pinhel em Um Acto (2015). Adaptou também para teatro o romance de Camilo Castelo Branco O Bem e o Mal (2014).
Encenou as peças Um Outro Fim (2013), para o Lab~, Teatro Municipal da Guarda, e O Juízo das Casas (2014), Visita encenada ao Juízo (2014), O Bem e o Mal (2014), História Breve de Pinhel em Um Acto (2015), para o Teatro do Imaginário. Tem, também, efectuado encenações e coordenação de espectáculos em contexto escolar e formativo.
Como actor integrou produções nos seguintes grupos de teatro: Grupo “Natural Invenção” (Escola Secundária Cristina Torres, Figueira da Foz); Teatro do Tintinolho (Guarda); Teatro do Imaginário (Manigoto, Pinhel); e Teatro do Calafrio (Guarda). Para além destes grupos, participou em várias representações do Teatro Municipal da Guarda e da Câmara Municipal da Guarda.
Publicou: Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2011; Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2012; Refracções em três andamentos (2012); A Casa da Memória (2013); O Convento (2014); Tenho uma pedra na cabeça no lado esquerdo anterior frontal ou nada disto (2014); Bloemlezing 7+7+1 (edição especial bilingue – português e neerlandês - 2015); O Convento (2.ª edição, 2015).


Tradutor e Pintor
Jos van den Hoogen
Jos van den Hoogen (1949) é holandês e licenciado em Linguística e Literatura Neerlandesa, com especialização na aprendizagem de línguas, na Universidade de Nijmegen. Foi professor de Língua Neerlandesa na Universidade de Ciências Aplicadas, na formação de professores e de tradutores. Participou num projecto universitário dedicado ao ensino da Língua Neerlandesa a crianças que cresceram com um dialecto regional como língua materna. Foi membro da direcção de fundações na área da educação e da formação artística. Teve aulas de pintura com Pieter Sonnemans (ver sítio josvandenhoogen.com) e aulas de Português na Universidade de Maastricht e, depois, com o Daniel Rocha. Depois da aposentação, veio viver em 2012 para Portugal com a sua esposa. Para além das traduções para o neerlandês de textos do Daniel Rocha, está a traduzir para Português poemas do famoso poeta neerlandês Lucebert.


Fotógrafo
Alexandre Costa
Luís Alexandre Bento Costa nasceu no dia 7 de Maio do ano 1987 na cidade da Guarda. Por volta do ano 2009, associado ao prazer do contacto com a natureza, surge o gosto pela fotografia. Inicialmente, os registos capturados pelo autor cingiam-se apenas à fotografia paisagística, o que mais tarde não foi regra. Desta forma alargou os seus horizontes. Hoje conta com registos em diferentes áreas, tentando sempre que o Pitoresco esteja presente. No seu trabalho destaca-se o preto e branco, restringindo a fotografia a uma maior simplicidade e evitando que a abundância de cores seja uma distracção. Com as características referidas anteriormente o autor pretende deixar o cunho pessoal nas suas obras de forma a que quem as veja o identifique com facilidade.


Fotógrafo
Ricardo Marta
Ricardo Marta nasceu na Guarda em 1980. Frequentou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no curso de Eng. Eletrotécnica e de Computadores. Foi formador nas áreas da Eletrónica e TIC. Paralelamente, a paixão pela fotografia foi crescendo e atualmente é pago para fazer o que mais gosta, fotografar. Especializou-se, através de alguns cursos, em fotografia de casamento.


terça-feira, abril 19, 2016

30 de Abril na BMEL - Guarda: lançamento e apresentação de "um outro fim" e de "een andere afloop"





No próximo dia 30 de Abril de 2016, pelas 16h, na Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda, será feita a apresentação e lançamento da edição em Português da peça um outro fim, de Daniel António Neto Rocha, e, também, a apresentação de 34 exemplares da edição especial bilingue (Português e Neerlandês) een andere afloop, traduzida e pintada por Jos van den Hoogen e complementada com trabalhos fotográficos de Alexandre Costa, Pedro Carvalho e Ricardo Marta.
A apresentação dos opúsculos será feita por Patrícia Couto, do Centro de Estudos Comparatistas da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
Durante a sessão será lida integralmente a peça por dois actores: Carla Morgado (Aquilo Teatro) e Pedro Sousa (Acert).



Sinopse
Um outro fim é uma peça de teatro onde, no meio de uma casa em construção, uma pausa desperta um diálogo incomum e uma situação absurda. Duas pessoas, que não se conhecem mas que se relacionam profissionalmente, ficam então a saber mais sobre as estranhas errâncias do Fim.


Autor
Daniel António Neto Rocha (1982)
Nasceu na Guarda em 1982, mas foi em Famalicão da Serra que cresceu. Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas, variante de Estudos Portugueses, e Especializado em Ensino de Português como Língua Estrangeira e Língua Segunda (PLELS), na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC).
            Escreveu para teatro as peças: Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2011 (em colaboração); Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2012; A Casa da Memória (2013); Um Outro Fim (2013); O Juízo das Casas (2014); Visita encenada ao Juízo (2014); Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2015 – In taberna quando sumus (2015); e História Breve de Pinhel em Um Acto (2015). Adaptou também para teatro o romance de Camilo Castelo Branco O Bem e o Mal (2014).
Encenou as peças Um Outro Fim (2013), para o Lab~, Teatro Municipal da Guarda, e O Juízo das Casas (2014), Visita encenada ao Juízo (2014), O Bem e o Mal (2014), História Breve de Pinhel em Um Acto (2015), para o Teatro do Imaginário. Tem, também, efectuado encenações e coordenação de espectáculos em contexto escolar e formativo.
Como actor integrou produções nos seguintes grupos de teatro: Grupo “Natural Invenção” (Escola Secundária Cristina Torres, Figueira da Foz); Teatro do Tintinolho (Guarda); Teatro do Imaginário (Manigoto, Pinhel); e Teatro do Calafrio (Guarda). Para além destes grupos, participou em várias representações do Teatro Municipal da Guarda e da Câmara Municipal da Guarda.
Publicou: Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2011; Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2012; Refracções em três andamentos (2012); A Casa da Memória (2013); O Convento (2014); Tenho uma pedra na cabeça no lado esquerdo anterior frontal ou nada disto (2014); Bloemlezing 7+7+1 (edição especial bilingue – português e neerlandês - 2015); O Convento (2.ª edição, 2015).


Apresentação

Patrícia Couto
Patrícia Couto nasceu em Amsterdão, licenciou-se em Filologia Germânica em Coimbra  (FLUC 1975), tem um mestrado em Literatura Comparada (FLUL 1996) e é doutorada em Estudos de Tradução  (FLUL 2012). É membro do Centro de Estudos Comparatistas (FLUL) e foi responsável pelo Instituto de Língua e Cultura Neerlandesa da Faculdade de Letras (UL). Traduziu autores neerlandeses como Jan Slauerhoff, Gerrit Komrij, Cees Nooteboom e Etty Hillesum.


Tradutor e Pintor

Jos van den Hoogen
Jos van den Hoogen (1949) é holandês e licenciado em Linguística e Literatura Neerlandesa, com especialização na aprendizagem de línguas, na Universidade de Nijmegen. Foi professor de Língua Neerlandesa na Universidade de Ciências Aplicadas, na formação de professores e de tradutores. Participou num projecto universitário dedicado ao ensino da Língua Neerlandesa a crianças que cresceram com um dialecto regional como língua materna. Foi membro da direcção de fundações na área da educação e da formação artística. Teve aulas de pintura com Pieter Sonnemans (ver sítio josvandenhoogen.com) e aulas de Português na Universidade de Maastricht e, depois, com o Daniel Rocha. Depois da aposentação, veio viver em 2012 para Portugal com a sua esposa. Para além das traduções para o neerlandês de textos do Daniel Rocha, está a traduzir para Português poemas do famoso poeta neerlandês Lucebert.


Fotógrafo

Alexandre Costa
Luís Alexandre Bento Costa nasceu no dia 7 de Maio do ano 1987 na cidade da Guarda. Por volta do ano 2009, associado ao prazer do contacto com a natureza, surge o gosto pela fotografia. Inicialmente, os registos capturados pelo autor cingiam-se apenas à fotografia paisagística, o que mais tarde não foi regra. Desta forma alargou os seus horizontes. Hoje conta com registos em diferentes áreas, tentando sempre que o Pitoresco esteja presente. No seu trabalho destaca-se o preto e branco, restringindo a fotografia a uma maior simplicidade e evitando que a abundância de cores seja uma distracção. Com as características referidas anteriormente o autor pretende deixar o cunho pessoal nas suas obras de forma a que quem as veja o identifique com facilidade.


Fotógrafo

Ricardo Marta
Ricardo Marta nasceu na Guarda em 1980. Frequentou a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, no curso de Eng. Eletrotécnica e de Computadores. Foi formador nas áreas da Eletrónica e TIC. Paralelamente, a paixão pela fotografia foi crescendo e atualmente é pago para fazer o que mais gosta, fotografar. Especializou-se, através de alguns cursos, em fotografia de casamento.


Fotógrafo

Pedro Carvalho
Pedro Carvalho nasceu na Guarda. Técnico de Informática de profissão, tem na fotografia um gosto que o faz correr.

sexta-feira, março 18, 2016

um outro fim





Título: um outro fim
Autor: Daniel António Neto Rocha
30 páginas

Dimensão: 15x10

100 exemplares
Design de capa: Edgar Silva
Fotografia de capa: Jos van den Hoogen
Revisão: Eunice Lopes


Preço: 4 euros 

(envio por correio acresce 0,50 euro)

Pré-Reserva ou Reserva disponíveis através do endereço: silenciosasdiscussoes@gmail.com 

Envio a partir do dia 30 de Abril de 2016 

Informações sobre o lançamento e apresentação em breve

een andere afloop

(capa)
Restam 2 (dois) exemplares.  

Título: een andere afloop
Autor: Daniel António Neto Rocha
Tradutor para o Holandês: Jos van den Hoogen
 48 páginas

Dimensão: 23,5 cm x 15,5 cm

34 exemplares únicos
com texto em português e em neerlandês
numerados e assinados pelo autor
com pintura individual e assinatura do pintor e tradutor
e
1 (uma) de 34 fotografias únicas de Alexandre Costa, Pedro Carvalho e Ricardo Marta a acompanhar cada exemplar, assinadas e numeradas pelos autores

Entregue dentro de uma caixa de arrumação e preservação do livro e demais conteúdo.

Preço: 20 euros 

(inclui oferta de 1 (um) exemplar de "um outro fim"; envio por correio acresce 1 euro)


Compra disponível através do endereço: silenciosasdiscussoes@gmail.com 

sexta-feira, dezembro 11, 2015

"Bartleby", pelo Teatro do CalaFrio, estreia no dia 17 de Dezembro



Estreia no Teatro Municipal da Guarda, nos dias 17, 18 e 19 de Dezembro, 21h3o

Teatro do Calafrio
apresenta

Bartleby

- baseado em "Bartleby, o Escrivão, uma História de Wall Street", de Herman Melville
Adaptação de Pedro Dias de Almeida
Encenação de Américo Rodrigues
Interpretação de Valdemar Santos e Vasco Queiroz, Daniel Rocha e Américo Rodrigues
Música de Miguel Cordeiro
Luz de José Neves
Imagens fotográficas de Alexandre Costa

Operação de som e luz de João Paulo Neves
Fotos de cena de Xano Costa
Cartaz de Pumukill


A seguir aos espectáculos realizam-se encontros com o público:
- Dia 17 com actores e encenador
- Dia 18 com António Bento (Ubi)
- Dia 19 com adaptador do texto Pedro Dias de Almeida



Não deixa de ser irónico que Bartleby, personagem criada por Herman Melville em 1853, tenha alimentado tantos textos e reflexões de grandes pensadores até aos dias de hoje. Este herói da inacção – ou, decididamente, um exemplo radical de anti-herói – que a tudo responde com a frase «preferia não o fazer» («I would prefer not to») sem nunca abandonar uma profunda indiferença e impassibilidade perante o que o rodeia foi intrigando e encantando geração após geração e chega aos labirintos do século XXI com perfeita actualidade, obrigando-nos a questionar as bases de uma modernidade que ainda hoje ilumina os nossos dias.
A história de Bartleby é-nos contada pelo advogado sereno e «pouco ambicioso» que o contrata como escrivão no seu escritório na Wall Street, em Nova Iorque. Relutantemente, mesmo sem perceber muito bem porquê, ele torna-se cúmplice da inacção de Bartleby, tolerando até ao fim todas as suas injustificadas recusas. É este um «livro triste e verdadeiro onde se mostra que a inutilidade essencial é uma das quotidianas ironias do universo», como escreveu Jorge Luís Borges, ou um «texto violentamente cómico» que «não pretende ser símbolo de nada», como defendeu Gilles Deleuze? É Bartleby um «novo Messias» - como defende Giorgio Agamben - que «não vem, como Jesus, para redimir o que aconteceu mas para salvar o que não aconteceu»?
Levar a inacção fundamentalista de Bartleby para um palco de teatro é um risco e um desafio. Esta não é a primeira vez que isso acontece. O dramaturgo espanhol José Sanchis Sinistierra fez, em 1989, uma adaptação dramatúrgica da obra do escritor norte-americano e, em Portugal, os Artistas Unidos estrearam, em 2001, História do Escrivão Bartleby, com texto de Francisco Luís Parreira e encenação de João Meireles, recriando livremente diálogos e personagens. Nesta adaptação procurámos ser muito fiéis às palavras de Melville e ao modo como, literariamente, ele apresentou Bartleby ao mundo, contribuindo, como sublinhou Deleuze, para criar um arquipélago onde também podemos encontrar os nomes de Kleist, Dostoievski, Kafka ou Beckett.

Pedro Dias de Almeida




BARTLEBY E A RESPONSABILIDADE

O Escrivão Bartleby: Uma História de Wall Street, é um dos relatos mais estranhos da história da assim chamada «literatura ocidental»; e continuará decerto a sê-lo numa época aparentemente tão auto-suficiente e tão auto-explicativa quanto a nossa. Não deve, portanto, surpreender-nos que aos olhos do mundo literário americano do século XIX o relato de Herman Melville possa ter surgido como uma autêntica extravagância. A crítica coeva ficou perplexa diante de uma obra imediatamente apodada de absurda e incompreensível. Sintomaticamente, tanto uma interpretação literal como uma interpretação simbólica deste conto pareciam - ontem como hoje - desembocar num beco sem saída: ora se via em Bartleby uma impossível charada; ora se a considerava uma obra de conteúdo profundo e enigmático.
Na verdade, este conto de Melville contém algumas das expressões mais célebres daquilo a que, por pura comodidade ou simples preguiça, costumamos chamar «literatura». Trata-se das locuções repetidamente empregues por Bartleby, o pálido e espectral copista, para, aparentemente, declinar as suas obrigações profissionais. Em primeiro lugar, «I would prefer not to» («Preferiria não o fazer»); depois, uma vezes como complemento outras como simples defesa, «I want nothing to say to you» («Não tenho nada a dizer-lhe»). O que significa esta declinatória? Significa, em primeiro lugar, que Bartleby reclama o direito a estar calado, o direito a nada dizer, significa, em suma, que Bartleby prefere não ser interpretado, que prefere não ser julgado. Com efeito, quem, como Bartleby, prefere não ser interpretado, quem prefere não ser compreendido, quem se apresenta como alguém sem personalidade, incompreensível, ininterpretável, sem história e sem biografia, sem privacidade e sem povo, quem, como os prisioneiros de guerra, se nega a dizer mais do que o seu nome, quem, como Bartleby, procura defender-se de toda a interpretação, quem se recusa a tomar parte no show, quem resiste a identificar-se e a apresentar a sua pequena história pessoal, a pequena mentira que o pode tornar tolerável junto dos seus semelhantes, esse tenderá quase sempre a ser considerado suspeito e culpado, pois o seu silêncio já só pode ser entendido como uma declinatória que delata a paródia imunda em que se converteram a palavra e a justiça.
Neste conto de Herman Melville é-nos dito que a sua personagem central, o escrivão Bartleby, preferiria não responder às perguntas que o seu patrão, um advogado de Wall Street, constantemente lhe endereça. Bartleby preferiria preservar o direito a estar calado, activando o direito a não responder. Bartleby, em suma, preferiria não se responsabilizar pelas respostas, preferiria não responder por elas. Todavia, com as suas singulares respostas, Bartleby procurou suspender, separar, cindir o responder a e o responder por. Assim, sempre que Bartleby responde a não responde por; sempre que Bartleby responde a uma pergunta não se responsabiliza pela resposta que dá a essa pergunta. Eis, em suma, a singular responsabilidade de Bartleby…
Dado o carácter irrespondível das perguntas que lhe são endereçadas, Bartleby prefere não responder pelas respostas que dá a essas perguntas. Ou antes, Bartleby responde-lhes, mas com a condição de que as suas respostas sejam sempre enunciadas no tempo condicional do verbo: «I would prefer to give no answer» («Preferiria não ter de responder»). Tendo em conta que Bartleby só raramente fala, e que, sempre que o faz, é fundamentalmente para declinar a obrigatoriedade de responder às perguntas que lhe fazem, podemos eventualmente presumir que a estranha repetição da locução toma o aspecto de uma conjura, mas - e aqui se joga algo decisivo - nunca num sentido meramente afirmativo. Dado o carácter condicionado e condicional das suas respostas, que condicionam, por seu turno, o reatar de novas perguntas por parte do advogado, poder-se-ia aqui falar de uma idiossincrática inversão do «abre-te sésamo». Mas se Bartleby carece inteiramente de um sentido normativo de responsabilidade, precisamente porque mesmo quando responde ele deixa claro que preferiria não o fazer, com a sua preferência negativa obriga sempre os outros a uma decisão moral: ora injuriando-o, ora acolhendo-o, ora ignorando-o, ora magoando-o, ora cuidando dele, ora aborrecendo-o. É, de resto, quase sempre sob um destes modos que ocorre a relação que vincula o advogado e os seus empregados a Bartleby.
Inútil, portanto, continuarmos a perguntar: "Quem és tu, Bartleby? De onde vens? E o que queres de nós? Responde-nos, por favor!
"
António Bento