segunda-feira, janeiro 06, 2014

Espaço: A Silenciosa Discussão de 2013 de... Jose van den Hoogen-Mariën


Para nós o ano 2013 foi um ano muito bom. 
Estivemos ocupados com a construção da nossa casa em Portugal. Já estamos reformados e moramos numa aldeia pequena onde toda a gente se conhece. Estou à vontade e os Portugueses dão-me a sensação de ser bem-vinda. São gentis e prestáveis. Foi uma boa decisão mudar para aqui. 
Gosto de todos os dias olhar a natureza bonita e o espaço em volta da nossa casa. Também gosto de morar perto da minha irmã mais jovem. Ela mora em Portugal há 19 anos e ajudou-nos muito. 
Aqui em Portugal há muito burocracia. Tínhamos que preencher muitos papéis para a imigração, para o SNS, para a câmara, para as finanças, para a importação do carro e mais. 
Gosto de aprender o Português e vou toda as semanas às aulas, mas é difícil, na minha idade. 
Em 2013 divertimo-nos nos teatros da Guarda e de Gouveia, com música e arte. São coisas muito importantes para nós, sendo o meu marido pintor e eu escultora. Não chega só trabalhar no campo. O nosso espírito também deve ser estimulado em matéria de arte. 
Por isso desejamos para todos vocês um ano criativo! Para nós desejamos o mesmo e que consigamos ser capazes de prestar ainda mais atenção à arte.  
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Jose van den Hoogen-Mariën é uma escultora holandesa que decidiu vir viver para Portugal. É uma apaixonada pela beleza da Serra da Estrela e pela simplicidade das suas gentes. Podem conhecer a sua obra aqui  

sábado, janeiro 04, 2014

Pensalamentos #188 - humanidade

acreditar 
na humanidade
dos homens
e nas suas cambiantes
interesseiras

Pensalamentos #187 - células

julgar intangível
o sonho borbulhante das células
e largar lágrimas
como triste constatação delas

Américo Rodrigues em Coimbra


O Américo Rodrigues vai este Sábado (dia 4) na Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho, em Coimbra, para ler os seus poemas e, tenho a certeza, para falar um pouco sobre a sua poesia e escrita. A sessão começa às 17h30m e, sinceramente, não a podem perder!

sexta-feira, janeiro 03, 2014

Espaço: A Silenciosa Discussão de 2013 de... Jos van den Hoogen




Mal me atrevo a escrever, mas o ano de 2013 foi um ano muito bom para mim e para a minha esposa. Desde o dia 2 de Janeiro de 2013 que somos cidadãos de Portugal, com uma pensão/reforma holandesa. A construção da nossa casa foi concluída sem problemas graças ao nosso empreiteiro “cinco estrelas”.

Já foi há 7 anos que nós decidimos não olhar para trás após a nossa reforma, ir procurar desafios novos e emigrar para Portugal. Já tínhamos passado muitas férias cá e gostamos da natureza da Serra da Estrela, do ar puro, do tempo, do espaço, da tranquilidade e, especialmente, dos Portugueses nesta região, que são simpáticos e prestáveis. “Bons vizinhos são como irmãos” dizia o nosso vizinho no primeiro encontro e acrescentava “Posso ser o seu irmão. Depende de ti.”

Mas, mesmo assim, mudar-se para o estrangeiro é uma experiência comparável a um duche frio de manhã. Tudo é novo, nada é óbvio. As expectativas familiares já não se aplicam. Perdes todos os automatismos. Todas as instituições e estruturas da vida pública – seguros, finanças, saúde, Câmara Municipal, EDP, companhias telefónicas - são diferentes das da Holanda e é difícil comunicar sobre isso porque a própria língua é uma barreira.

No processo de integração cívica recebemos ajuda de familiares e amigos holandeses, mas também da família Portuguesa na casa da qual morámos nos primeiros meses. Eles apresentaram-nos à população e às festas locais. O nosso professor de Língua Portuguesa interpretou - e interpreta - igualmente um papel importante, não só como professor, mas também porque nos oferece a possibilidade de participar activamente na arte e na cultura desta região.   
 
Não seria justo já julgar de qualquer maneira Portugal. Mas posso dar algumas impressões e pensamentos ainda incoerentes. É interessante que há muitas coisas que me fazem lembrar a minha juventude na Holanda, entre os anos 1950 e 1960. Vejo, por exemplo, em toda a parte pessoas sentadas umas encostadas às outras: a distância física é mais pequena do que na Holanda nesta altura. Era para mim uma grande surpresa ouvir o nosso empreiteiro terminar uma conversa com “Abraço!”.  Este tipo de relação física já não existe na Holanda. O poeta holandês Lucebert já escreveu no ano 1952: “o abraço deixa-nos num jogo desesperado com o vazio”.

Parece-me também que existe em Portugal mais respeito dos jovens pelos adultos, como na minha juventude. Por outro lado este “respeito” deve, talvez, ser compreendido como um sentimento de hierarquia, que foi demolido na Holanda nos períodos mencionados. O poeta acima mencionado decidiu, em 1954, aceitar um prémio da cidade de Amesterdão vestido como imperador. Acho que as pessoas aqui ainda têm muito respeito para os funcionários públicos, da Câmara, do Registo, da polícia, dos Bombeiros, do INEM, enquanto na Holanda estas pessoas são cada vez mais confrontadas com a agressão e a violência do público (o que detesto). Ao mesmo tempo os Portugueses têm uma aversão profunda pelas autoridades políticas. Sendo assim, não compreendo porque têm muitas vezes uma atitude resignada e porque não acontecem mais campanhas ou acções de “desobediência civil” como na Holanda no período da contestação entre 1960-1970. Podia ser que, o que chamei “respeito” e “sentimento de hierarquia”, se fundamenta-se, ao menos em parte, numa angústia, angústia, fundada ou não, que é um vestígio do período antes de 1974? Seja como for, a autoridade política, acho eu, tem de trabalhar a sua imagem, enquanto os cidadãos têm que familiarizar-se com uma mentalidade de responsabilidade própria e de confiança no seu poder próprio. 

O meu voto para o ano 2014 é que usemos o poder criador da literatura, do teatro,  da música e das belas artes para a formação desta mentalidade.
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Jos van den Hoogen nasceu na Holanda em 1949. Foi professor no ensino superior, na área da linguística, e aposentou-se em 2011. Em 2012 mudou-se para Portugal. É pintor e já teve algumas das suas obras expostas no Café Concerto do Teatro Municipal da Guarda. É um apreciador da arte e daquilo que a vida tem de bom. É, também, um homem bom!

quinta-feira, janeiro 02, 2014

Pensalamentos #186 - queda

jurar
sonoramente
que a queda
não é minha

Os labirintos do trabalho - Freelancer

Já fui referindo que ando a trabalhar com a escrita.
Serve agora este texto para explicar e dar a conhecer mais alguns pormenores desta minha nova faceta. 
O nome «ESCRITOR "FREELANCER"» parece apontar para unicamente para a realização de trabalhos de "grande envergadura", por exemplo a escrita de livros. Mas não é só isso que faço, aliás essa visão deste trabalho é, talvez, a que terá menor atenção. 

Segue uma listagem com trabalhos tipo que posso fazer: 
- textos curtos, médios ou longos (para os mais diversos fins, basta dizerem); 
- textos artísticos (visando a ligação ao design); 
- escrita de slogan e textos argumentativos que o acompanhem; 
- correcção de textos; 
- trabalho de edição; 
- outros pedidos. 


Todas as questões (perguntas sobre os tipos de texto a trabalhar e pedidos de orçamento) deverão ser enviadas para danielroc@gmail.com


(Atenção: 
Haverá o máximo sigilo no tratamento de quaisquer textos ou questões, nunca se revelando qualquer contacto existente se assim for a vontade de quem o pretende.)

quarta-feira, janeiro 01, 2014

Desafios em 2014 #1 - dois opúsculos em breve

Os grandes desafios de 2014 são a reinvenção de um professor que o quer ser mas que não deixam ser. Confusos? Sim, o professor quer dar aulas, mas o país não o quer a dar aulas, logo vira-se para outros campos e alunos. 
Assim, espero ainda em Janeiro colocar em pré-venda/reserva duas edições de autor. Um conto elaborado a partir de uma lenda religiosa e duas peças de teatro. Ambas terão uma tiragem reduzida (penso em 100 exemplares numerados e assinados), dependendo esse número também da existência ou não de reservas por parte dos leitores interessados. Terão cerca de 30 páginas cada um, sendo então dois opúsculos. Penso que cada um poderá, em pré-venda/reserva, custar 5 euros. Depois custará 6 ou 7 euros, mas ainda não tenho o orçamento na mão para aferir isso. 
Caso alguém queira já reservar algum, diga-me para o email: silenciosasdiscussoes@gmail.com
Neste primeiro contacto, basta dizerem-me o nome e o local onde vivem.
Quando as tiver, colocarei aqui a capa e outras informações.

Bom 2014, o Ano do Labirinto!


E eis que nos encontramos em 2014, o Ano do Labirinto! Este é o ano em que, dizem, nos veremos a braços com uma recuperação económica e, blá, blá, blá whiskas saquetas!, soberana. Pois bem, veremos.
Para mim espero um ano interessante e que me permita, finalmente, demonstrar todas as competências que sei que tenho e que até me são reconhecidas por muitos. Para os meus, felicidade e oportunidades, pois só precisam disso para demonstrar todo o seu potencial. Para a vida de todos nós, apenas desejo que não seja matreira e que não nos pregue partidas más!
De resto, aqui fica a mensagem que partilhei pelos amigos hoje de madrugada:  
Olá e boa noite! Sejam bem chegados a 2014, o ano do Labirinto! Não se preocupem, o Minotauro emigrou! Por isso, podem percorrê-lo devagarinho. Bom Ano.

terça-feira, dezembro 31, 2013

Boas saídas de 2013!


Não podia de deixar aqui uma pequena mensagem de Boas Saídas aos visitantes deste meu humilde blogue. Obrigado por me terem acompanhado durante 2013 e por, de tempos a tempos, partilharem comigo algumas das alegrias ou tristezas que tive de descrever (nem sempre de forma simples de perceber!). Até para o ano, que virá não tarda e que espero que seja menos opressor e ofensivo, e espero que possam continuar a usufruir da minha escrita e opinião!
Agora vou tomar o último café do ano e dizer um adeus simbólico a algumas pessoas. 
Até para o ano!

Pensalamentos #185 - duas estrelas

à velocidade da luz
no mais ermo dos espaços
há quem ganhe pequenas estrelas

Acordos na Guarda? #26 - o "Bacalhau" regressa às primeiras páginas

E eis que em período de balanços há uma notícia que irá fazer correr muita tinta por esta Guarda fora e, por piada que possa parecer, irá ter ao silencioso gabinete de Cavaco, o "Sussurante"! 
Diz o Terras da Beira, na sua última primeira página de 2013 que "A Câmara da Guarda desiste da compra do edifício «Bacalhau»".
Não me vou alongar em comentários (sobre as razões apresentadas ou sobre dificuldades encontradas) sobre um título, mas farei uma análise ao artigo noticioso.
Para já apenas duas notas e uma quase conclusão: naquele edifício funciona uma escola que é propriedade da família Raimundo, que como todos sabemos tem/teve fortes ligações, pelo lado de Marília, a Cavaco Silva (confesso que não faço ideia do "pé" em que as ligações estarão!) e que tem em Amaro um inimigo, por razões conhecidas de todos, de estimação; Amaro é um cavaquista e, tanto quanto se sabe, continua com boas relações com o vazio sonoro que emana de Belém, para além de ser o inimigo também de estimação da família Raimundo; logo, ou as inimizades continuam de forma saudável e acabou-se o favorecimento camarário tão em voga em tempos recentes ou estamos perante um interessante "caso" que servirá apenas para tentar disfarçar a estranha aliança entre cavaquistas temperado com uma boa dose de silêncio.
Mas... vamos ver!   

Pensalamentos #184 - morrelen

agitar 
desgovernadamente
os braços
num desesperante
frémito de emoções
frias

domingo, dezembro 29, 2013

Pensalamentos #183 - silêncio

de olhos fechados
envoltos em trevas
e em espaços vazios
respirei
levemente
como quem arfa de dor
um pensamento
incapaz e sereno
na sua inexistência

"não gosto de silêncio"

disse baixinho
não querendo acordar
a vida ou a morte
e rezei
sem som
sem eco
sem existência

"não gosto de silêncio"

e calei
a voz surda das rochas
e o som grave do ar
no fundo do coração