quinta-feira, fevereiro 16, 2012
terça-feira, fevereiro 14, 2012
Pensalamentos #35
E no meio de todo
este
barulho arrepiante
de compras e vendas
e mentiras e
curvas lancinantes
preocupei-me em ver
além
junto à ponta do abismo
o que realmente
interessa reter
e aqueles
que não nos
abandonam.
este
barulho arrepiante
de compras e vendas
e mentiras e
curvas lancinantes
preocupei-me em ver
além
junto à ponta do abismo
o que realmente
interessa reter
e aqueles
que não nos
abandonam.
segunda-feira, fevereiro 13, 2012
Pensalamentos #34
A um dia mau
Assustado, restei
envolto em
amanhãs
de tom grave
e de cruel expectativa.
Pedi, a quem me acolhesse
em profana oração,
que me salvasse
de provação terrível
e homicida
mudez.
Assustado, restei
envolto em
amanhãs
de tom grave
e de cruel expectativa.
Pedi, a quem me acolhesse
em profana oração,
que me salvasse
de provação terrível
e homicida
mudez.
sexta-feira, fevereiro 10, 2012
Repentes #5 - Novo livro de Eduardo Lourenço

Eduardo Lourenço prepara-se para lançar, já nos próximos dias, um novo livro com o promissor título: "Nós e a pieguice ou como se amordaça o povo".
Segundo o autor, este livro estava já preparado há vários anos (especulam os críticos literários que foi preparado às escondidas do Estado Novo!), mas nunca mereceu vir a público porque poderia diminuir a imagem dos portugueses que foi eternizada nos Descobrimentos e, mais recentemente, na saudosa revolução dos cravos, podendo até comprometer as negociações para a venda da participação pública da EDP à multinacional chinesa "Três Bocarras".
Sabe-se que as FNAC's e Bertrand's do país têm já centenas de leitores acampados às suas portas, esperando a publicação da explicação de Lourenço para este mal que corrói o país e que impede os sucessivos Governos da República de prestarem grandes serviços aos cidadãos.
Em breve, esperamos poder apresentar uma recensão crítica sobre as principais linhas desta que pode bem ser a grande obra literária do terceiro milénio português e, também, poder apresentar a palavra que é lei de Marcelo Rebelo de Sousa acerca deste opúsculo e dos seus ecos no país profundo.
Este blogue pode já adiantar uma das frases que promete gerar mais debates e discussões acesas:
Segundo o autor, este livro estava já preparado há vários anos (especulam os críticos literários que foi preparado às escondidas do Estado Novo!), mas nunca mereceu vir a público porque poderia diminuir a imagem dos portugueses que foi eternizada nos Descobrimentos e, mais recentemente, na saudosa revolução dos cravos, podendo até comprometer as negociações para a venda da participação pública da EDP à multinacional chinesa "Três Bocarras".
Sabe-se que as FNAC's e Bertrand's do país têm já centenas de leitores acampados às suas portas, esperando a publicação da explicação de Lourenço para este mal que corrói o país e que impede os sucessivos Governos da República de prestarem grandes serviços aos cidadãos.
Em breve, esperamos poder apresentar uma recensão crítica sobre as principais linhas desta que pode bem ser a grande obra literária do terceiro milénio português e, também, poder apresentar a palavra que é lei de Marcelo Rebelo de Sousa acerca deste opúsculo e dos seus ecos no país profundo.
Este blogue pode já adiantar uma das frases que promete gerar mais debates e discussões acesas:
"Os Portugueses vivem em permanente altercação, tão obsessiva é neles a pieguice de não pagar impostos conscientemente e a correspondente vontade de pedir aos pais que continuem a pagar-lhes a segurança social para que eles não caiam nas garras dos tribunais, tanto quando são solteiros como depois de casados."
quarta-feira, fevereiro 08, 2012
Pensalamentos #33
De costas viradas para o Sol,
caminho lentamente nos húmidos
campos, enquanto se erguem
as frias Erínias do cálculo
terrífico e se apostam a verter
o meu sangue. Já culpado,
entrego-me
à decisão de Atena.
caminho lentamente nos húmidos
campos, enquanto se erguem
as frias Erínias do cálculo
terrífico e se apostam a verter
o meu sangue. Já culpado,
entrego-me
à decisão de Atena.
terça-feira, fevereiro 07, 2012
07. Crónica Diária na Rádio Altitude (3.ª temporada) – Crónica ao Professor Tó Zé ou do Prémio Café Mondego 2011 (*)
1. Estávamos já nos últimos anos do milénio anterior quando eu e o Armando desatámos à “porrada” em pleno corredor. Éramos, por esses dias, alunos do terceiro ciclo no Liceu e, acabadinhos de fazer a Telescola em Famalicão, chegávamos à Guarda com propósitos um tanto ou quanto enevoados – nem nós sabíamos bem o que queríamos, nem aquele espaço parecia oferecer-nos nada daquilo que nos estava destinado. “Putos” da aldeia, meio “gandins” e com alguns problemas em aceitar que nos apelidassem de “ruras”, vingámo-nos um no outro, não sei bem porquê. Penso que nunca mais trocámos mimos idênticos, apesar de, com toda a certeza, termos trocado mais algumas palavras azedas. Por esses dias, pelos cantos da mítica escola de Vergílio Ferreira, eram contadas histórias inacreditáveis sobre um bando de malfeitores que possuía um título pomposo: os alunos da turma H. Como seria de esperar, nós pertencíamos a essa turma. Pois bem, entretidos na troca de galhardos murros misturados com sublimes pontapés, não reparámos no amontoar de professores e funcionários que se afastavam, temendo aqueles dois monstros que se digladiavam. Ali estivemos em agradável esbofetear alguns minutos até que um desconhecido apareceu e nos separou, enquanto nos dedicava palavras plenas de boas intenções. Foi a primeira vez que eu o vi e nunca mais lhe esqueci o rosto. Claro está que a vergonha de não termos terminado o combate não tinha espaço para vingar no seio de tão vil turma e as horas seguintes foram plenas de elogios retumbantes: “Grande esquerda!”; seguido de “Fantástica direita!”; depois o “Parecias o Undertaker!”; e por fim o mítico “Aquele carrinho foi melhor do que o do Paulinho Santos!” O pior é que estava para vir, e depressa! Foi logo no Domingo seguinte. Nesse tempo, cometia os pecados na escola e confessava-os na missa dominical, onde era também acólito. E, claro, o Armando também. No preciso momento que se seguia ao “Ide em paz”, lá ia eu rua fora quando vejo a figura, risonha, do pacificador da minha disputa semanal. Fiquei boquiaberto! Ele? Aqui? Vim a saber minutos mais tarde que era natural de Famalicão e ouvi pela primeira vez o seu nome: António José Gouveia Dias de Almeida ou, num registo muito mais familiar e amigável, o Professor Tó Zé. Como é óbvio, para um puto com aquela idade, era preciso evitar conversas para que ninguém viesse a saber da tarde de violência, mas o seu nome nunca mais desapareceu da minha memória. Ainda para mais depois de saber da extrema afeição que ele sempre teve pela minha família materna.
(...)
(...)
Guarda, 06 de Fevereiro de 2012
Daniel António Neto Rocha
(Crónica Radiofónica - Rádio Altitude, no dia 7 de Fevereiro de 2012 - disponível em podcast em Altitude.fm)
(*) Por extrema amizade, esta crónica é publicada na íntegra!
segunda-feira, fevereiro 06, 2012
Pensalamentos #32
Talvez, no frio deste caminhar deambulante,
o calor atmosférico me encontre
enrolado a um lençol roto e
transparente tecido
nas almas puras
de seres alados
e alienados.
o calor atmosférico me encontre
enrolado a um lençol roto e
transparente tecido
nas almas puras
de seres alados
e alienados.
domingo, fevereiro 05, 2012
Pensalamentos #31
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Julgamento e Morte do Galo do Entrudo 2012 (5.ª edição)

Aqui está o sugestivo cartaz da 5.ª edição do "Julgamento e Morte do Galo do Entrudo"! Neste ano coube-me o jogo de palavras na íntegra. Espero que apareçam para darem uma sentença. Sim, não é só o Galo que será julgado, mas será o único a enfrentar uma bela morte. Refastelado? Dia 20 de Fevereiro, pelas 21 horas e 30 minutos, terão o prazer de o saber! Posso adiantar que me deu um gozo tremendo urdir este texto. Julguem-no, por favor!
terça-feira, janeiro 31, 2012
Repentes #4 - Justiça, mas que injustiça!
Depois de ouvir a Senhora Dona Maria José Morgado dizer que os pobres dos magistrados que se se deslocarem não têm condições para efectuar o seu serviço com a paz de espírito e a concentração necessárias que o grandioso dever precisa e, depois, de referir que dadas essas condições o seu trabalho e a sua avaliação será prejudicada, lembrei-me de lhe perguntar: os professores que palmilham Portugal de Norte a Sul podem dizer o mesmo? É que muitos deles têm a família a 300 quilómetros e não têm subsídio de habitação, e têm de ser avaliados apesar de tudo isso!
Talvez esta gente não saiba, mas o grande inimigo da produtividade em Portugal é o desrespeito que as pessoas sentem por parte dos privilegiados, que recebem muito, muito bem (no caso dos que são contratados) e que pagam o que querem aos seus empregados, exigindo não o que pagam mas o que deveriam pagar!
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