quinta-feira, abril 17, 2014

Gabriel García Márquez: tanto que ficou por escrever


Em 2002, ano em que me divertia noite dentro com livros, Gabriel García Márquez lançava "Viver para contá-la" a então primeira parte daquilo que se pensava vir a ser uma autobiografia em dois volumes. "Devorei" aquele pequeno tesouro em dois ou três dias e esperava ansiosamente a sua continuação. Com o passar do tempo e com as más notícias que a saúde de García Márquez gritava, comecei a temer não vir a conhecer essa segunda parte. Hoje a pior notícia chegou! 
Claro que já algo naquele homem estava silenciado, fazendo lembrar o início do seu primeiro conto publicado, "A terceira resignação": "Ali estava outra vez o ruído. Aquele ruído frio, cortante, vertical, que tão bem conhecia já, mas que agora se lhe apresentava agudo e doloroso, como se de um dia para o outro se tivesse desabituado dele." E é este silêncio, tão pleno de palavras, que hoje ganha vida com a morte de um García Márquez que eu, na minha leitura, aprendi como simples e tremendamente vivo!
Até sempre, Mestre Márquez! 


A mais velha profissão do mundo

E ao contrário daquilo que os "gulosos" esperariam, não, não se trata de prostituição mas, sim, de algo muito similar. É impressionante como, em quem se quereria isento e capaz de analisar a realidade de forma coerente, se assiste à proliferação da opinião "nim". Esta, uma espécie de doença rara mas mais antiga do que a até agora apelidada como a mais antiga do mundo, consiste na avença (paga, claro está) a determinadas figuras que empestam jornais, televisões e rádios, e que se acotovelam na defesa intransigente do líder (que, leia-se, não é só o que tem o poder absoluto mas também aquele que tem os pequenos poderes) e das suas decisões, mesmo que estas sejam completamente contrárias àquilo que a figura opinativa pensa, ou melhor, acha!
É, portanto, a mais velha profissão do mundo: a de defensor do chefe de fila! 

Basta ler, ver ou ouvir um qualquer meio de comunicação social durante "o poder" de dois partidos diferentes para percebermos as incongruências discursivas de uns e outros. Custará assim tanto ser coerente? Ou o ganho pessoal é maior se optarmos por fazer de conta que até somos um pouco "esquecidos"?  

quarta-feira, abril 16, 2014

terça-feira, abril 15, 2014

As portas que Abril abriu #1 - fome

Vários relatórios indicam níveis tremendos de fome ao nível das crianças e a discussão mediática está centrada na forma como Portugal deve sair do empréstimo que a Europa e compinchas fizeram? 
As portas que Abril abriu são negras!

segunda-feira, abril 14, 2014

No comments #11

Banksy

Repentes #37 - os cargos

Há, no dias de hoje, uma interessante e preocupante questão que deveria ser interiorizada e pensada por todos: O que são cargos públicos? Pois bem, isto é algo que, hoje, tem uma leitura muito complexa e muito limitada, pois os cargos públicos de hoje são uma espécie de prémio que se dá a quem "ajuda" a chegar a um determinado sítio. No entanto, e da experiência de cidadania que cada um de nós deve ter, estes cargos devem ser de gente capaz e competente para melhorar a "coisa pública" que se gere. É este o caso em Portugal? Não, não, não. Não estará na hora de nós, eternos culpados pelo mal do país, começarmos a exigir e a forçar que haja responsabilidade, e não desvios, na gestão daquilo que nos sai do bolso? Vejam o caso das mais recentes notícias sobre fundos europeus e de um desejo intenso dos gestores portugueses em ter mais dinheiro para estradas. Isto é responsabilidade?

Pensalamentos #223 - colher

colher os frutos
sem sujar as mãos

sexta-feira, abril 11, 2014

Pensalamentos #222 - preocupação

a preocupação
ronda ronda ronda
em ziguezagues
turbulentos
em demandas singulares
em vistas curtas e umbiguistas
em ziguezague em ziguezague em ziguezague
olhando


pensando


em si

quarta-feira, abril 09, 2014

Pensalamentos #221 - sei

dar conta
dos dias e das horas das mentiras 
sensíveis
e correr
agressivamente
os segundos que faltam
para o fim

segunda-feira, abril 07, 2014

sábado, abril 05, 2014

Nova imagem da Câmara Municipal da Guarda

Ao ver as imagens e as frases (escritas e ditas) da nova "imagem corporativa" da Câmara Municipal da Guarda, nem sei como fiquei. 
Sim, cores vivas, alegres, parecendo que o arquitecto Tomás Taveira chegou à cidade, e merecedoras de enriquecer os próximos cartazes carnavalescos. Mas, sinceramente, é assim que deve ser uma imagem formal de uma cidade? Não concordo! E desculpem lá por isso! A justificação parece aparecer no vídeo de explicação da construção da nova imagem e a associação com "o dar cor à vida das pessoas" é demasiado demagógica e digna de figurar em manuais de enganos. A vida das pessoas, para este senhores, melhora apenas com o apogeu da "imagem" e da "cor"? Espero bem que não, senhores, e que este princípio seja apenas uma postura colorida para o lado fanfarrão da vossa actuação. Sim, estou a dizer que espero que também haja o outro lado - o do trabalho honesto e não ludibriante.
Por outro lado, a frase é dúbia em demasia (e eu até gosto de caleidoscópios linguísticos) e fez-me logo pressentir uma associação não muito favorável: "cada um por si". Admito que possa ser uma ligação estranha, mas sendo possível... leva ao descrédito. Para além disso, todos sabemos que existe ostracização na cidade, seja qual for o partido (pois as famílias, senhores, continuam a mandar). 
Para terminar, aquela pequena imagem associada à cultura... Não é possível colocar o ponto mais alto virado para baixo, rodando a imagem 180º? É que com aquele castanho... parece uma "poia"! Espero que não seja um mau prenúncio para aquilo que aí virá na cultura!

Já o facto de o designer dizer que se baseou numa caixa tridimensional... nem sequer vou comentar!

quarta-feira, abril 02, 2014

Crato desmonta o imbróglio



O texto que o jornal "Público" utiliza como forma de chamar a atenção da notícia na sua página do Facebook é elucidativo: "O mapa de Portugal regressa às salas de aula. Desta vez não há ultramar, só mar." Crato e os seus compinchas são a nova face de uma política antiga e incapaz de fugir à totalitarismo e à autodeificação. E até a colocação dos enganosos mapas é "aconselhada" para a mesma hora, numa estupidificante acção de propaganda ideológica e de aparente enobrecimento do acto. O senhor Crato não quer também rezar o "Pai Nosso" enquanto se agradece ao criador o facto de sermos portugueses cheios de água? (Nota: sou católico e percebo bem a ironia que utilizo.) Absurdo, estupidificante, presunçoso, arrogante e, também, de um nacionalismo "bacoco" e "balofo" que faz lembrar as mais primárias acções da corja de Salazar! "Não discutimos a pátria!" faltará afirmar a pulmões pujantes a este pequeno tirano de falsas insinuações. Grande Portugal, feito de água! Sim, agora é mais fácil perceber por que é que vamos metendo tanta e de forma imparável! Em mês de Abril, daquele Abril que se diz da liberdade, faltará alguém fazer uma grande análise aos valores de Abril que são preconizados e efectivados pelos "donos da democracia"! 

O senhor Crato virá dizer que ele, sim, viveu e sofreu com a ditadura. Eu, bem mais novo, não vivi nem sofri com "aquela ditadura". Conclusão: ele não aprendeu nada com aquilo que viveu e que (duvido, mas...) sofreu; eu aprendi com "aquela" e com esta que agora vivemos! 

segunda-feira, março 31, 2014

Teatro do CalaFrio: "MAS ERA PROIBIDO ROER OS OSSOS", de 9 a 12 de Abril no TMG



É, com toda a certeza, um novo projecto teatral com futuro garantido e com qualidade superior. A sua estreia é a 9 de Abril na Guarda, onde ficará também os três dias seguintes, e conta com a nota de criatividade de Américo Rodrigues e com uma equipa de actores fantástica.
A não perder!


"A partir de "Carta ao pai" e "Relatório a uma Academia", de Franz Kafka.

Neste espectáculo cruzam-se dois textos de Frank Kafka, um dos autores mais importantes (e perturbantes) da literatura ocidental: “Carta ao pai” e “Relatório a uma Academia”.

“Carta ao pai”- Em 1919, Franz Kafka escreveu ao seu pai, o comercian
te judeu Hermann Kafka, uma longa carta Na missiva, que nunca chegou a ser enviada, o escritor exprime a sua mágoa em relação ao um pai severo e dominador, que o autor apelida de “autoritário”, "tirano", "rei" e "Deus". Esta peça literária é, sobretudo, uma obra de auto-análise. Kafka escreve sobre a educação perversa que recebeu, considerando que lhe destrui a auto-estima e o condenou ao medo de nunca corresponder às expectativas. Uma sinceridade extrema trespassa esta carta que nos fala, implacavelmente, da nossa fragilidade como humanos.

“Relatório a uma Academia”- Kafka narra a história de um macaco que decidiu tornar-se humano, através de um processo de imitação; fumar cachimbo, cuspir, falar, etc. Depois de domesticado o macaco entrou para um teatro de variedades e chegou a tornar-se uma vedeta no mundo dos espectáculos. Aos sérios doutores de uma Academia revela, no entanto, que “no sexo” continua a ser um macaco. O percurso do símio e da sua transformação são contados de forma "científica", com toques de cariz rocambolesco plenos de comicidade.
"

sábado, março 29, 2014

Pensalamentos #217 - ?

dúvida

sentar-se a um canto
preso nas teias visíveis
olhar o vazio e as linhas cruas
enquanto, fora,
as ruas limpam os pés
silenciosos

quinta-feira, março 27, 2014

A não esquecer, porque é Dia Mundial do Teatro

Já sabem: vão ao teatro! Hoje, amanhã e sempre, mantenham um espírito de questionamento e não percam a oportunidade de apreciar o trabalho de quem tanto se esforça para vos agradar!
Mundo de outro mundo, o teatro vive muito para além da realidade, imitando-a, por vezes, e substituindo-a, quase sempre!
Gostava de poder editar hoje uma peça de teatro, mas terei ainda de esperar algum tempo para que isso possa voltar a acontecer. Para já, aqui fica uma imagem de uma das últimas peças em que tive o prazer de mergulhar. A foto é do Ricardo Marta. Apresenta um momento de uma das peças com que o Teatro do Imaginário (Manigoto) promoveu em Pinhel as Casas do Juízo! Na imagem têm o Daniel e o Daniel!


quarta-feira, março 26, 2014

Teatro: novos desafios

Gosto de desafios e o que se segue é bem diferente de quase tudo. 
Rua, envolvência, múltiplos cenários e um montão de oportunidades e dificuldades cénicas!
Estes desafios são formidáveis!

segunda-feira, março 24, 2014

Guarda sede das comemorações do 10 de Junho de 2014


Segundo o jornal A Guarda ( ver aqui ), Cavaco Silva, presidente da República, confirmou já a Guarda, cidade, como sede em 2014 das Comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Nada que me surpreenda, conhecendo-se a "filiação" e empatia que Álvaro Amaro tem com o actual Presidente da República.
Como costumo ser um rapaz que pensa por antecipação, já estou a começar a imaginar a lista de "ilustres" que merecerão a homenagem e as condecorações a que a praxe obriga. E, confesso, não me parece que a cidade se vá ver identificada em algumas delas, pois a onda cavaquista é bastante longa.
Quanto ao destaque nacional para a cidade, seja ele bem-vindo! 

domingo, março 23, 2014

"A poesia é o mistério de todas as coisas" com algumas fotos (actualizado)

Foto de poema com Canhoto musical (foto minha)

(Foto de Elsa Fernandes)

(Foto de Vasco Pires)
(Foto de Armando Neves)


Foi uma noite de intensa comemoração da poesia. Num ambiente intimista, rodeados de amigos, conhecidos e gente menos conhecida, lá nos envolvemos no agradável e tão enriquecedor mundo da poesia. Gostos diversos, sorrisos em dose industrial e a comunhão da liberdade e da diferença. Partilhei poemas meus e espero que tenham trazido aos presentes alguma da satisfação que o dia triunfal da criação de cada um deles me trouxe a mim. Foi uma boa noite e um amanhecer nocturno para a esperança guardense (pelo menos naqueles que partilharam a noite!). 

quinta-feira, março 20, 2014

O Dia Mundial do Teatro em Celorico da Beira: 29 de Março "A Casa da Memória" sobe ao palco


Ter uma peça escrita por nós a servir de celebração do Dia Mundial do Teatro é um prazer! E é isso mesmo que irá acontecer já no próximo dia 29 de Março, pelas 21h30, no Centro Cultural de Celorico da Beira. O Teatro do Imaginário, do Grupo de Amigos do Manigoto, vai apresentar "A Casa da Memória" em mais um palco do distrito e espero que possam ir ver o fantástico trabalho que fazem!
Não percam! 

"Comemorando-se no dia 27 de Março o Dia Mundial do Teatro, vai esta Câmara Municipal assinalar esta data, com a apresentação, no dia 29 , Sábado, às 21.30h no Centro Cultural , da peça de teatro “A CASA DA MEMÓRIA”, pelo Teatro do Imaginário – Grupo de Amigos do Manigoto.
"A Casa da Memória" é uma história de encontros e desencontros passada no centro de uma aldeia tipicamente beirã - o Manigoto. Por ali não faltam as brincadeiras de rua, as tropelias das crianças, as galinhas e os burricos, o sino a rebate, e as beatas, os padres, os apaixonados, e todo um imaginário registado desta aldeia do concelho de Pinhel. Humor e emoções, com um final em festa!
Encenação e imagem de Alexandre Sampaio a partir da obra “A Casa da Memória” de Daniel António Neto Rocha
Interpretação de: Ana Mesquita, Bernardo Cerdeira, Daniel Ferreira, Diogo Cerdeira, Diogo Paulino, Fernanda Fernandes, José Ferreira, Maria Gonçalves, Maria Luisa Mesquita e Sofia Paulino.
Desenho e operação de luz: António Freixo
Apoio cenográfico de : Abel Santos
" (Fonte: Câmara Municipal de Celorico da Beira)

Poesia, amanhã, na Guarda

Amanhã, apareçam e juntem-se a nós na celebração da poesia. Numa organização do Teatro do CalaFrio e da Casa de São Vicente, na Rua da Trindade, nº8A, Guarda, acontece a sessão A POESIA É O MISTÉRIO DE TODAS AS COISAS, assinalando o Dia Mundial da Poesia.
Participam José Neves, Valdemar Santos, Américo Rodrigues, Fátima Freitas, António Godinho, José Monteiro, o projecto Ai! (de César Prata e Suzete Marques) e o saxofonista Carlos Canhoto, entre outros.
Vamos ler poesia, respirar poesia e beber à poesia!
A sessão começa pelas 21.30 horas.

Em Pinhel, na Feira das Tradições 2014 (4)


O preço da vergonha universitária: 42 milhões de euros

Sim, ficámos hoje a saber o custo da traição que as Universidades portuguesas fizeram a todos os seus alunos, negando-se a tomar partido numa questão que as enterrou na lama da desconsideração e da nulidade das suas competências formativas.
Alguns meses depois de este mesmo Governo, que agora dá "lampeiro" a esmola caridosa, ter considerado que o trabalho das Universidades não merecia credibilidade, percebe-se o porquê e o custo do "silêncio compincha": 42 milhões de euros!
Este é, a partir de agora e sem a garantia de ser pago, o primeiro vislumbre (primeira tranche?) da vergonha universitária e, claro, o vislumbre daquilo que é o ensino universitário dos nossos dia: um mero ponto de passagem! Razão tinha Torga quando, com uma visão profética, declarou que tinha por lá passado "como cão por vinha vindimada." Nem ele reparando nela nem ela reparando nele. Claro está que, nos dias que correm, a Universidade repara no número de cabeças que por ali entram, mas só para efeitos contabilísticos, e não tem em consideração nada mais. É pena, pois a educação deveria ser o seu centro de acção!

«"Interrogado sobre se garantia que os montantes cortados em excesso nos orçamentos das instituições, relativamente aos que estritamente corresponderiam aos novos cortes salariais aplicados aos seus trabalhadores para 2014, o secretário de Estado respondeu afirmativamente, referindo que, com os dados da execução orçamental de Fevereiro, ou com os de Março, as contas seriam feitas e os orçamentos das instituições seriam reforçados com as diferenças (previstas em cerca de 42 milhões no total do sistema), na altura da aprovação do próximo orçamento rectificativo", lê-se num comunicado da Federação Nacional de Professores (Fenprof) divulgado depois da reunião.» (Público)

quarta-feira, março 19, 2014

Em idos tempos na Guarda #1

Uma aluna, daquelas nervosas e preocupadas com o muito que ainda havia para fazer,"bombardeou-me" um dia com mil e muitas perguntas sobre um trabalho que estava a fazer, um relatório. Hoje deparei-me com as respostas que lhe dei naquele dia e aqui fica um exemplo.


5.º - Na discussão e conclusões é para [fazer o] quê?

Na discussão... deves mandar vir contigo própria! E se aparecer a tua mãe, pai, irmãos, manda vir com eles também! Ok? Mais a sério... A discussão serve para tu referires o porquê de uma opção que tomaste. Porque não escolheste outra cor? Porque seguiste determinada ideia? Deves tentar fazer essa diferenciação.
Conclusões? Conseguiste bater em alguém? Deu resultado descarregar a fúria na pobre velhinha que passava na rua? Deves referir se o resultado final é satisfatório. Se evoluíste em relação ao que pretendias fazer no início do trabalho. Etc..


Se resultou? 

Boa pergunta! 

Penso que sim, pois o nervosismo e o excesso de dúvida têm de se combater com bom humor e com concentração no objectivo final!