reparar
de forma una e concreta
que o mal do mundo
e das pessoas
não é que lhe dêem a mão
mas, sim, que
lhe não ofereçam
dinheiros
terça-feira, setembro 10, 2013
Li: Acidente Poético Fatal, de Américo Rodrigues
É já um texto antigo, ou melhor, um texto com cerca de um ano, mas com o fim do blogue "Café Mondego" ficou escondido nas páginas da revista cultural Praça Velha, n.º 31. Com a aproximação do lançamento do novo livro do Américo Rodrigues, decidi resgatar esta minha recensão para o formato digital. Esta que lêem é a versão alargada da recensão que podem ler na já citada edição da revista guardense.
A “palavra essencial” esquecida: acidente poético fatal, de Américo
Rodrigues
Afinal o que importa é não ter medo: fechar os
olhos
frente ao precipício
e cair verticalmente no vício
(Mário
Cesariny)
Do autor, Américo Rodrigues (n. 1961),
não haverá pouco a dizer. É um nome incontornável da história cultural recente (dos
anos 80 à actualidade) da cidade da Guarda e será uma referência nacional da literatura
e das artes em geral. Podemos chamar-lhe poeta, actor, dramaturgo, encenador,
cronista ou, na nossa opinião, performer.
Todos estes nomes lhe estão ligados umbilicalmente e todos lhe assentam na
perfeição, basta observar com atenção a sua longa produção artística. O seu
trajecto enquanto poeta é já longo e a sua lista de publicações é extensa - Na nuca
(1982), Lá fora: o segredo (1986), A estreia de outro gesto (1989), Património de afectos (1995), Vir ao nascedoiro e outras histórias
(1996), Instante exacto (1997), Despertar do funâmbulo (2000), O mundo dos outros (2000), Até o anjo é da Guarda (2000), Panfleto contra a Guarda (2002), Uma pedra na mão (2002), Obra completa – revista e aumentada
(2002), O mal – a incrível estória do
homem-macaco-português (2003), A
tremenda importância do kazoo na evolução da consciência humana (2003), Escatologia (2003), Os nomes da terra (2003), A
fábrica de sais de rádio do Barracão (2005), Aorta Tocante (2005), O céu
da boca (2008), Escrevo-Risco
(2009) e Cicatriz:ando (2009) -,
compreendendo obras que vão do “vulgar” livro até aos objectos poéticos nas
suas mais diversas realizações.
Das influências do autor saberemos um
pouco mais conforme o conhecimento que tivermos das suas próprias produções. Se
atentarmos neste seu percurso artístico e poético, verificamos que recebe
várias influências teatrais e performativas, nomeadamente no que diz respeito
ao trabalho experimental com a voz ao nível do teatro (é importante destacar o
estágio que efectuou com Catherine Dasté, em Paris, no ano de 1979). Este
trabalho com a voz é completamente inovador no Portugal dos anos 80 e dá-lhe,
desde aí até hoje, o estatuto de único poeta sonoro português e um dos
principais elementos do movimento poético experimental dos últimos trinta anos.
Mas interessa pressentir não só as influências experimentais. Também ao nível das
influências poéticas mais formais, a sua capacidade de absorção rege-se pelo
caminho mais marginal (em jeito de confissão, diz o autor que a “culpa” foi de
um bibliotecário que trabalhava na antiga biblioteca itinerante – a mítica
carrinha vermelha da Gulbenkian – que lhe aconselhava sempre a leitura de
poetas como Herberto Helder, Mário Cesariny, Ramos Rosa, entre outros). A sua
poesia não segue a lógica dos poetas presencistas ou neo-realistas, apesar de,
em alguns momentos deste livro que analisamos, se pressentirem algumas dessas
temáticas relacionadas com a denúncia do autoritarismo e da injustiça social
(no que ao neo-realismo diz respeito), e duma presença constante do traço
original (tão querido aos presencistas). É, sim, uma poesia de influência surrealista,
mergulhada na ideia que é lançada por Mário Cesariny no artigo “Mensagem e
ilusão do acontecimento surrealista”, inscrito no n.º 1 da Revista Pirâmide: “Também porque o surrealismo se inscreve numa zona de conhecimento que
mesmo nos pontos globais do seu percurso (…) será sempre parcela e nunca soma, pois das muitas coisas com que tem a
ver tem a ver sobretudo com o amor do futuro, é prova de inquirição que cabe a
cada homem para continuação de novo homem que vem.” Mas nem só de
surrealismo se reveste, pois o espírito do movimento Dada (consubstanciado no
espírito reaccionário perante injustiças sociais protagonizadas pela sociedade
burguesa e pelo seu sistema racional) está presente como o “ruído” incómodo que
a sua poesia cria à sociedade que se rege pela criação de um status quo que quer permanecer
intocável. Estas, últimas, serão as duas principais influências de Américo
Rodrigues ao nível da poesia.
Algumas questões já começaram a ser
afloradas nas linhas anteriores, sendo que este acidente poético fatal retoma algumas das influências já referidas,
mas (e lá vem o cunho de originalidade que “herdou”, talvez, de Almada
Negreiros) não é só isso. Em acidente
poético fatal, Américo Rodrigues apresenta aquilo a que poderemos chamar poesia
performativa, sabendo nós de antemão que é um termo vago e, possivelmente,
impreciso ao nível da tão necessária objectividade da crítica de teor académico.
Voltaremos a ele no final. O título é sugestivo e aposta desde logo num recurso
de enriquecimento textual – a adjectivação – que cria na expressão uma curiosa
relação de dependência entre o adjectivo “poético” e o nome “acidente” que pode
desde logo ser lido pelo absurdo criativo que proporciona. Como sabemos, no
campo da poesia não existem acidentes fatais. Pode haver imprecisões, más
escolhas, maus poemas, maus autores ou más críticas, mas nunca se revelam
fatais (no sentido ontogénico do termo). Logo, a escolha deste título aposta na
conjugação da estranheza e da sua utilidade para a criação de universos
simbólicos e esteticamente ricos, e revela-se tremendamente certeira. Já ao
nível das relações gramaticais entre os vários constituintes do título, a
escolha foi ainda mais acertada. Se tentarmos encontrar uma tabela que analise
a importância das três palavras na expressão que se constitui como título,
poderíamos considerar que o centro do grupo nominal de que a expressão se
reveste é, de facto, um adjectivo. Isto, como sabemos, é um erro ao nível da
análise gramatical. Pensamos que Américo Rodrigues teve consciência disso no
poema que empresta o título ao livro (pág. 48):
Declaração
Para os devidos
efeitos
(e feitos)
declaro que em caso
de acidente poético fatal
deixo
dou
doo
(…)
Como
se percebe, através da leitura atenta de todo o poema, o poeta dá-nos a
impressão de estar a comunicar os seus últimos desejos testamentários, mas
consciente de que o faz apenas com elementos não usuais no tipo de texto que
normalmente serve de testamento. Ao nível da aproximação estética deste tipo de
estratégia poética a outros poetas portugueses, sabemos que a poesia de
Herberto Helder – curiosamente um dos agraciados com os bens testamentários –
também opta por este jogo de intersecção de planos diferenciados, ou, na
expressão de Maria Lúcia Dal Farra, pela opção dos “campos semânticos
cruzados”. Convém referir-se que esta estratégia, colada a Herberto Helder, é
utilizada desde o primeiro modernismo português (por exemplo, “Chuva oblíqua”
de Fernando Pessoa) e por todos os poetas e demais artistas que usaram o
surrealismo como ponto de origem da sua criação artística. Depois desta
primeira incursão pelo texto, e usando-a ainda, pensamos que é importante
referir e estar atento à forma como o poeta trata o tema da morte. Neste poema (“Declaração”)
encontramos um testamento, que alude à organização do homem perante a
inevitabilidade da morte. Noutros poemas a morte surge associada ao suicídio (“Os
rapazes”, pág. 6), ao anúncio da morte ou da celebração dos mortos (“Os mortos”,
pág. 10), aos epitáfios que hão-de encimar as pedras tumulares (“Epitáfios”,
pág.s 13 e 14), e outros (principalmente em “Poeta Local” (pág. 17), “Sete
telefonemas” (pág. 40) e “Casas” (pág. 57). Não pensemos no entanto que aqui a
morte é vista de forma literal, esperando a existência de uma encenação
romântica. A morte é antes um motivo de sarcasmo, de crítica ou de sátira,
perante as motivações de escrita do poema. O grande tema deste acidente poético fatal, porém, é outro:
o humor, por vezes negro, que passa pelo conjunto de poemas e que, de forma
satírica ou sarcástica, aponta para a forma crítica como Américo Rodrigues olha
o mundo que o rodeia. Como exemplo de crítica social e, também, moral, leia-se
(pág. 23)
Projecto
Dão-me papas
Duas vezes por dia
Dão-me remédios
Todos os dias
(…)
Leiam-se
ainda “Vêm” (pág. 12), “Ninho” (pág. 8), “A entrega” (pág. 18) e “Não Há” (pág.
54), entre outros. Podemos verificar que existe neste ponto a aproximação ao
Cesariny da Nobilíssima Visão, onde o
humor seco e crítico se expande de uma forma quase invisível (leia-se o poema
“Pastelaria”). Numa característica que tem como compromisso o humor crítico,
verificamos outra das estratégias que foi também cara aos surrealistas e que
Américo Rodrigues utiliza de forma bastante acutilante: os animais (seres irracionais)
como representação de uma realidade criticável e negativa (pág. 5):
O pequeno boi
O pequeno boi
cinzento
claro
ruminando.
(…)
A
este nível, verificamos que existe uma correspondência de utilizações de
figuras animalescas como forma de intensificar sentidos, regra geral
pejorativos, com outro dos grandes autores portugueses que tiveram uma passagem
pelo surrealismo: Alexandre O’Neill. Como exemplos da obra de O’Neill, leiam-se
“Galo de Barcelos” e “Made in Portugal”. Na obra em análise, verifiquem-se
também “Poemas da transumância” (pág. 42) e “Visita guiada” (pág. 27), onde a
utilização dos animais como forma de crítica é efectuada de forma singular.
Poderíamos, ainda, aqui salientar um conjunto de estratégias
que demonstram bem a grande riqueza e o enorme valor literário deste pequeno acidente poético fatal. No entanto,
deixaremos apenas, visto que importa aguçar o apetite dos potenciais leitores e
não impor uma leitura, algumas pistas de leitura que poderão ajudar à
construção de horizontes significativos individuais. Atente-se então nas várias
imagens visuais criadas com mestria, observem-se algumas construções e
desconstruções de palavras que soam a música, oiçam-se alguns aspectos fónicos
que lembram os trava-línguas, visualize-se a exploração da poesia experimental
e compreenda-se a utilização do calão como catarse da emoção violenta (quase um
grito dadaísta).
Existem ainda duas pequenas referências que fazem com que a
este livro de Américo Rodrigues possa ser visto como uma obra universal: a
primeira demonstra-nos essa validade universal da obra e a segunda dá a
explicação do termo poesia performativa. Em primeiro lugar, Carl-Gustav
Bjurström, tradutor de Lars Gustafsson para a língua francesa, no prefácio à
obra A morte de um apicultor, destaca
uma estratégia discursiva deste escritor sueco a que dá o nome de “trompe
l’oeil”. Este termo, numa tradução muito livre e muito pouco literal, significa
“engano consciente” e consiste na apresentação de elementos que são demasiado
estranhos e acutilantes para não serem falsos. Pois bem, Américo Rodrigues
utiliza, neste livro, esta estratégia de uma forma extremamente bem conseguida
(pág. 16):
Abadia
Na abadia franciscana de Monteveglio
Há um sistema inovador
(…)
Aqui, o “trompe l’oeil”
surge nos versos “eu próprio pedi que
Frei Giovanni della Annunziata/ ali me confessasse.” Estaria o poeta a
tentar redimir-se da imagem ridícula que cola às vetustas catedrais católicas
do poema “Ninho”, que parece estar colocado, de forma estratégica, três páginas
atrás? A estranheza apodera-se de nós no verso referido, mas é resolvido logo
nos versos que o procedem. Depois esclarece por completo a estranheza no poema “Atendimento
automático” que não é mais do que uma brilhante resolução da questão com que o
ser humano religioso se interroga sempre que é atingido por uma desgraça: mas
onde é que estava deus? Desta forma, este “trompe
l’oeil” vem adensar ainda mais a imagem iconoclasta deste sujeito poético,
pois são utilizadas as instituições de toda a ordem como elementos humorísticos
através da ironia e do sarcasmo. Em segundo lugar, e para elucidar a dúvida que
nos acompanha desde o início, pensamos que este livro que Américo Rodrigues nos
apresenta é um excelente exemplo da poesia performativa porque se situa no
centro da viagem entre a poesia sonora e a poesia lírica (iniciada a chegada a
esta poesia mais “literal” a partir da experiência poética que é a obra Cicatriz:ando), contendo em doses bem medidas o
melhor das duas: a forma rítmica e musicada de uma, e o conteúdo simbólico da
outra.
Por fim,
convém salientar um “pequeno pormenor” que tem grande importância para o
conjunto da obra de Américo Rodrigues. Esperava-se que o final do livro fosse
muito corrosivo e de um humor tremendamente sarcástico, visto que por todo o
livro é esse o ingrediente principal. No entanto, e de forma surpreendente, o
poeta oferece-nos uma ponte de escape simbólica para uma poesia de temática
mais intimista. Assim, guarda os poemas “Insónia” (pág. 58) e “Não me acordes”
(pág. 59) para fazer uma transferência de planos entre este acidente poético fatal e a obra
seguinte, que terá como pontos de partida o “sítio húmido/ da noite” e os “interstícios
da pele”, ou seja, a “palavra
essencial” recuperada.
Guarda, 05 de Maio de 2012
Daniel António Neto Rocha
(Versão mais curta In: Revista Praça Velha n.º 31. – Guarda: NAC/ CMG, Junho de 2012. – p. 201 a 205.)
sábado, setembro 07, 2013
Pensalamentos emprestados #12
"Há algo de atraente num homem sensível à agonia da existência."
(personagem Mónica, em "Para Roma com Amor" de Woody Allen)
sexta-feira, setembro 06, 2013
Promessa pelos nossos homens
Há sete anos que tenho tentado ajudar a evitar o que nos dias que correm parece ser assunto inevitável! Hoje, mais uma vez este ano, fui apanhado de surpresa e admito que chorei. Há coisas que trato como meros adereços que são. Mas a vida... essa não! E hoje mais famílias estão tristes e sem razão para continuarem a viver! Outras estão com o coração nas mãos, esperando que o futuro as ajude a trazer os seus para casa.
Eu fiz hoje uma promessa! Não a vou aqui partilhar, mas tem como pressuposto o regresso seguro de todos os meus amigos e camaradas a casa.
No dia em que isso acontecer, levanto-me e ando. De um sítio até outro sem grandes pausas, tal como fazemos sempre que existe um incêndio para apagar. No dia em que possa cumprir esta promessa, direi do que se trata.
Acordos na Guarda? #13 - o enigma
É uma das questões que a decisão do Constitucional traz para a baila no dia de hoje e que, tenho a certeza disto, poderá ser determinante no desfecho final das eleições de 29 de Setembro. Vamos por partes. O Tribunal Constitucional decidiu (na minha opinião mal, por motivos que envolvem, entre outros, o abuso daquilo a que nos negócios se chama de "posição dominante") que os autarcas de outros concelhos possam candidatar-se a concelhos vizinhos. Logo, Álvaro Amaro é, agora, um candidato legítimo e com legítimas ambições. Portanto, agora acaba-se este problema (pois neste momento já não há o problema da interpretação da lei que tanta e tanta tinta fez correr).
Agora, o novo e esperado problema está em saber como é que o mesmo Tribunal vai resolver a questão das listas de "A Guarda Primeiro", pois poderá ser determinante para o desfecho final das eleições a possibilidade ou não de esta lista estar a votação. Passo a explicar ou a tentar fazer uma breve análise que poderá ser tudo menos acertada. Caso o tribunal permita a ida às eleições de "A Guarda Primeiro" haverá uma dispersão de voto que já vimos que será favorável à candidatura de Álvaro Amaro, uma vez que a sua posição saiu reforçada com esta decisão que é coerente com aquilo que ele diz desde o início da pré-campanha. Caso o tribunal não permita essa ida às eleições de "A Guarda Primeiro" que vai sair reforçado é José Igreja e o seu Partido Socialista (PS) que poderão ter para si aquilo a que eu chamo "os votos da vingança menor e os votos do mal-o-menos". Claro está que nesta última versão assistiremos ao regresso dos desavindos ao PS, talvez com o "rabo entre as pernas" e com aquela típica versão muito portuguesa do "eu sempre estive deste lado, fui foi ver o que os outros faziam para te dizer".
Seja lá como for a história, aqui estaremos para ver o seu desenlace. Uma ou duas certezas, porém, ficam desta decisão do Tribunal Constitucional: primeira, a três a vitória é laranja; segunda, a dois ficaremos pelo rosa. Esta é, pelo menos, a minha leitura dos dias hoje.
quarta-feira, setembro 04, 2013
Acordos na Guarda? #12 - Guarda ilegal
Há pequenos pormenores que fazem a diferença nesta coisa da política e que fazem como cidadão eleitores, tal como eu, acreditem nos políticos de partido ou de listas independentes. Uma delas é a transparência e a clareza da intenção com que se candidatam (o que, digamos, ninguém consegue trazer para a campanha, pois é sempre um jogo de oportunidades e de sombras). Outra é o conjunto de apoiantes e de gentes que rodeiam as candidaturas sem mostrarem que estão ali, mas que se vai notando que estão por pequenos elementos que fazem a interligação entre "famílias". Outra ainda é a forma honesta como conseguem, ou não, obter aquilo que a democracia (não me apetecendo fazer qualquer alusão a este nome tão abstracto e tão difícil de perceber) prevê, por exemplo a recolha de assinaturas. Neste último campo parece-me que devemos estar conscientes de que há formas legítimas de recolher assinaturas (por exemplo, quando explicamos às pessoas que as assinaturas servem para x e elas acedem e assinam) e outras que não são aceitáveis (por exemplo, pedir a alguém que passe nomes das listas eleitorais e que assine por esses mesmos nomes). Não é democrático aquilo que se consegue cometendo um crime, mas isso é só um pormenor, não é?
segunda-feira, setembro 02, 2013
Pensalamentos #120 - conta gotas
seguir
estrondosamente
com a calma vagueante
de gotas de sangue
a flutuar pela vida
Momentos em imagem #17 - os nossos homens
O Tiago Anjos criou e partilhou esta imagem. Eu faço-a chegar até vós. Estes são os nossos homens que lutam para voltar para junto das suas famílias e de nós. Nós estamos à espera deles e todas as nossas orações são por eles. Volto a pedir-vos, a vós, boas energias e um lugar para eles nas vossas orações.
sexta-feira, agosto 30, 2013
Pequeno pedido a quem lê este blogue
Não vos quero gastar o tempo ou sequer exigir algo que não esteja na vossa vontade, mas gostava de vos pedir que por estes dias incluíssem nas vossas orações os meus quatro amigos e camaradas bombeiros que estão magoados. Obrigado!
terça-feira, agosto 27, 2013
segunda-feira, agosto 26, 2013
Acordos na Guarda? #11 - golpe de teatro ou trágedia?
E aí está mais uma "acha" para a fogueira política da Guarda: listas de "A Guarda Primeiro" rejeitadas pelo tribunal da Guarda.
A piada: nunca vi umas eleições com tantas supostas ilegalidades! Parece-me um bom presságio para os próximos quatro anos de trabalho político no concelho.
domingo, agosto 25, 2013
Repentes #35 - o recolher obrigatório e os incêndios
Há um dado que salta à vista de quem o quiser ver e que indicia aquilo a que noutros países chamam terrorismo. Aqui pelas nossas latitudes e longitudes parecemos não prestar atenção a isso, mas, depois, temos os canais informativos a falar de ataques terroristas e de triângulo do mal noutras zonas do globo.
Pergunta: é admissível haver (e olho para o exemplo de hoje) 106 incêndios entre a meia-noite e as nove horas da manhã? Este tipo de comportamento não é terrorismo? Se em vez de incêndios fossem bombas, já alguém se preocupava a sério com isto?
Pois bem, não é altura de decretar o recolher obrigatório com carácter de urgência em alguns distritos ou regiões do país?
sexta-feira, agosto 23, 2013
Pensalamentos #117 - palavras enlutadas de bombeiro
tantas coisas e palavras encaixadas na garganta
tantas lembranças passadas
tantas caras e lágrimas que hoje pressinto lá longe
não, hoje não escrevo nem mais uma palavra.
hoje estou triste e apetece-me ficar quieto e reflectir.
hoje apetece-me pensar se continua a valer a pena.
talvez amanhã, com a mente turvada de insónia
as palavras brotem e alguém as ouça.
chega! chega! chega!
tantas lembranças passadas
tantas caras e lágrimas que hoje pressinto lá longe
não, hoje não escrevo nem mais uma palavra.
hoje estou triste e apetece-me ficar quieto e reflectir.
hoje apetece-me pensar se continua a valer a pena.
talvez amanhã, com a mente turvada de insónia
as palavras brotem e alguém as ouça.
chega! chega! chega!
quinta-feira, agosto 22, 2013
Crónica Bombeiros.pt: Basta um gesto simples e desinteressado!
![]() |
| (Foto de Sérgio Cipriano/ Bombeiros.pt) |
1. Bastaram duas semanas de calor intenso e de (é
minha crença) actividades negligentes e criminosas para que não fossem só as
matas e pinhais do país a ficarem incendiadas. Também as línguas e vontades dos
altos responsáveis desta coisa dos bombeiros ganharam nova força e começaram a
disparar numa única direcção: a subida, rápida e em força, na hierarquia económica
e política. Mas, comecemos pelo fim, ou seja, por estas últimas horas de
grandes incêndios que, segundo o senhor Ministro da Administração Interna logo
depois secundado pelo senhor Presidente da Associação Nacional de Bombeiros
Profissionais (ANBP), se devem a uma não racionalização de meios (???). Ou
seja, o problema, para estes senhores, deve-se a uma existência exagerada de
meios que não são aplicados com exactidão nos respectivos incêndios. Pelo menos
foi também isto que percebi. Pois bem, tentando perceber melhor esta conjugação
de palavras governamentais com as palavras profissionais do senhor presidente
da ANBP, cheguei à triste conclusão de que a realidade do interior do país é
completamente desconhecida por parte destes excelentíssimos senhores. Algum
destes senhores terá perguntado aos centros distritais quantas ocorrências de
incêndios têm durante um só dia de trabalho? E já algum destes senhores se deu
ao trabalho de perceber os meios complementares (máquinas de rasto, por
exemplo) que não existem para um combate poder ser mais efectivo? Sim, estou a
ler as palavras ditas e trazidas na comunicação social de forma localizada e,
se calhar, não coincidentes com as intenções finais destes senhores, mas não me
parece que esteja longe daquilo que eles pretendem. Limando um pouco estas
constatações, permitam-me que conclua duas coisitas que gostava que estivessem
na mente do senhor Ministro quando disse aquilo que disse perante os
jornalistas: primeiro, ele estava a falar do desaparecimento do Grupo de Intervenção,
Protecção e Socorro (GIPS) enquanto força que duplicava aquilo que já existia e
que foi, digamo-lo, um gasto exagerado de dinheiros públicos em nome de uma
qualquer vontade política; segundo, ele fez uma comparação (generalização)
despropositada entre o elevado número de operacionais e de meios que é possível
colocar nos vários Teatros de Operações (TO) do país, sabendo nós que na região
de Lisboa podemos no espaço de 1 (uma) hora colocar facilmente num incêndio
florestal 300 (trezentos) homens e sabendo nós também que isso é uma missão
impossível de concretizar em qualquer outra área do país (talvez após uma
dezena de horas de incêndio isso seja possível). As leituras destes dois pontos
ficam em aberto para as considerações dos senhores leitores.
2. Outra das questões que por estes dias veio a lume
foram os acidentes na frente de incêndio. Comecemos, outra vez, pelo fim. Na
região de Penacova deu-se, naquilo que está relatado e que eu pude ler, um
pequeno milagre. O senhor Presidente da Liga, no entanto, chamou-lhe
“sangue-frio”. Pois bem, parece-me que teremos os dois um pouco de razão, mas
(sem estar a ser arrogante) penso que tenho um pouco mais de razão do que ele.
Porquê? Porque o caminho que escolheram foi dar ao sítio certo. Elementar, não
é? Sim, imaginem só que o caminho que escolheram e que o “sangue-frio” que eles
tiveram os levava para um beco sem saída criado pelo incêndio? Sim, senhor
presidente da Liga, as nossas decisões contam muito, mas também conta a
conjugação de factores que não depende de nós. Em todo o caso, não há ninguém
que fique mais feliz com o desfecho do incêndio de Penacova do que eu.
3. Por fim, volto devagar e com um sentimento de
solidariedade imenso aos dias tristes de Miranda do Douro e às faces de todos
aqueles que deixaram de ter motivos para sorrir. Não tenho a intenção de dar
conselhos ou recomendar qualquer paliativo, pois sei que as palavras que possa
dizer aos familiares do António Ferreira ou aos seus companheiros não
significam muito. Quero, portanto, virar-me para todos aqueles que serão
essenciais no futuro próximo e que, a faltarem, farão com que a vida se
transforme num sítio terrível para se habitar. Quero, então, virar-me para as
famílias de todos os bombeiros e para as comunidades de Miranda do Douro, e
pedir-lhes uma coisa muito simples e que não custará qualquer soma ou esforço:
estejam presentes e, quando sentirem que é hora, dêem uma mão, um abraço ou uma
palavra de conforto a quem, não o pedindo, o precisará.
Figueira da Foz, 13 de Agosto de 2013-08-13
Daniel António Neto Rocha
segunda-feira, agosto 19, 2013
Seia: "A Casa da Memória" de portas escancaradas
No dia 14 de Setembro, pelas 21h30, o Teatro do Imaginário vai apresentar na Casa Municipal da Cultura de Seia a sua mais recente peça: "A Casa da Memória". Deixo aqui o aviso para poderem agendar com calma esta ida ao teatro. A entrada custa 4 euros.
""A Casa da Memória" é uma história de encontros e desencontros passada no centro de uma aldeia tipicamente beirã - o Manigoto. Por ali não faltam as brincadeiras de rua, as tropelias das crianças, as galinhas e os burricos, o sino a rebate, e as beatas, os padres, os apaixonados, e todo um imaginário registado desta aldeia do concelho de Pinhel. Humor e emoções, com um final em festa!
(...) Cada ensaio foi uma evolução, uma hora marcada, uma vontade de crescer, um lanche e convívio festivo. (...) Às vezes uma visita inesperada, um recado, os afazeres, a família, os vizinhos, uma cadeira desmanchada, um vidro que se partiu, a lenha para aquecer… e tudo sem agruras, sem querelas, (...) que bom que assim foi. (...) A maioria dos participantes deste espetáculo pisa pela primeira vez um palco; generosamente, entregaram-se às palavras do Daniel Rocha, que para este grupo escreveu precisamente a obra A Casa da Memória, às experiências que fui propondo sobre elas, e, passo a passo, foi um desabrochar. Ei-las hoje, aqui, convosco, para que estas histórias possam (...) ser vossas, para que este passado possa ser relembrado, e para que esta identidade se crave fortemente no solo de Manigoto. Pudesse todo um país crescer assim.
Alexandre Sampaio in Folha de sala
Ficha técnica:
ENCENAÇÃO E IMAGEM de Alexandre Sampaio, a partir da obra "A Casa da Memória" de Daniel António Neto Rocha. INTERPRETAÇÃO de Ana Mesquita, Bernardo Cerdeira, Daniel Ferreira, Diogo Cerdeira, Diogo Paulino, Fernanda Fernandes, José Ferreira, Maria Gonçalves, Maria Luísa Mesquita, e Sofia Paulino. DESENHO e OPERAÇÃO DE LUZ de António Freixo. APOIO CENOGRÁFICO de Abel Santos. ADEREÇOS de Alex Teixeira, António Guerra, Kevin dos Santos, e Manuel Marques. MÚSICA de Bach (allegro assai do concerto nº2 para violino, e adagio do concerto para duas harpas e cordas), e Mozart (adagio do concerto nº3 para violino, e allegro moderato do concerto nº1 para violino). PRODUÇÃO do Grupo de Amigos do Manigoto. APOIOS da Câmara Municipal de Pinhel, Falcão E.M., Junta de Freguesia de Manigoto, IPDJ, e INATEL."
ENCENAÇÃO E IMAGEM de Alexandre Sampaio, a partir da obra "A Casa da Memória" de Daniel António Neto Rocha. INTERPRETAÇÃO de Ana Mesquita, Bernardo Cerdeira, Daniel Ferreira, Diogo Cerdeira, Diogo Paulino, Fernanda Fernandes, José Ferreira, Maria Gonçalves, Maria Luísa Mesquita, e Sofia Paulino. DESENHO e OPERAÇÃO DE LUZ de António Freixo. APOIO CENOGRÁFICO de Abel Santos. ADEREÇOS de Alex Teixeira, António Guerra, Kevin dos Santos, e Manuel Marques. MÚSICA de Bach (allegro assai do concerto nº2 para violino, e adagio do concerto para duas harpas e cordas), e Mozart (adagio do concerto nº3 para violino, e allegro moderato do concerto nº1 para violino). PRODUÇÃO do Grupo de Amigos do Manigoto. APOIOS da Câmara Municipal de Pinhel, Falcão E.M., Junta de Freguesia de Manigoto, IPDJ, e INATEL."
(Fonte: Casa da Cultura de Seia)
Acordos na Guarda? #10 - tribunais e sondagens
Antes que comecem a tratar-me mal, claro que isto que vou escrever é quase tudo ironia, e da grossa! A decisão dos tribunais em impedir a candidatura de Álvaro Amaro à Guarda era esperada (pelo menos por quem ainda vai acreditando que a lei é para respeitar) e não trouxe nada de novo para a campanha. Agora é esperar pelos recursos infindáveis e, lá para fins das férias, teremos o candidato do PSD e do CDS-PP à Câmara da Guarda pronto para os votos. A piada, no entanto, está nos golpes palacianos que se preparam atrás da decisão do tribunal e que podem provocar mais uma cisão anunciada (já que o governo não caiu e a minha visão não se cumpriu...). Mas já lá vamos!
Para preparar ainda de melhor forma a reentrada política, a sondagem que todos apregoam veio trazer algo impossível aos olhos de todos como uma "possibilidade possibilitiva" (como diria o Rei Juliano): Álvaro Amaro pode mesmo ganhar a Câmara da Guarda e acabar com a predominância do reinado rosa. Claro que muitas voltas dará o mundo até ao dia das eleições e, ironia das ironias, o putativo vencedor é o tipo que está em vias de "sair na próxima curva". Ou seja, a secretaria pode impedir o vencedor de se tornar vencedor!
Mais engraçado ainda é o facto de, num reino cadavérico da Guarda onde pululam os reis de outrora e que podem voltar às rédeas sombrias da cidade com um fulgor extremo, uma pergunta ter surgido com força inesperada: será que Manuel Rodrigues ainda pode ser o candidato em vez de Álvaro Amaro?
É óbvio que quase tudo o que aqui digo é ficcional e que a interrogação é pura diversão mental para quem conhece o jogo escondido com rabo de fora, mas que o alarme soou em alguns lares de família muito conceituados... lá isso soou!
Continua a festarola!
sexta-feira, agosto 16, 2013
Repentes #34 - É a hora de acabar com esta morte de bombeiros
Penso que todos os que vão lendo este blogue já perceberam que eu perdi um Irmão num incêndio. Penso, também, que todos os que possam ler este texto vão ter a oportunidade de pensar duas vezes naquilo que vou escrever e que estarão a ler, pois não vou ser nada meigo com a atitude hipócrita e desonesta que nos dias de hoje os "nossos responsáveis" vão demonstrando.
Pois bem, estou farto de gente que vem chorar sobre o túmulo aqueles que vão embora! Estou farto de Martas e Caldeiras e Curtos e tantos outros que pensam que o seu lirismo enternecedor com quem já morreu pode fazer alguma coisa para além de dar uma imagem do ar angelical de lobos que se alimentam do suor de outros! Estou farto desta gente que só se preocupa em trepar politicamente e que se aproveita do corpo ensanguentado dos que vão caindo para continuarem a afiar as garras e a tirar dividendos disso! Estou farto de pessoas que discutem ardentemente o valor do seguro dos bombeiros e se esquecem de alimentar com ferocidade as discussões sobre a segurança dos homens no combate! Estou farto destes animais que vivem felizes com o sangue dos outros a correr debaixo dos seus pés!
Pergunto eu: o que fizeram os senhores que dão a voz pelos bombeiros para impedir este fim que aconteceu em Miranda do Douro ou na Covilhã? O que têm feito estes senhores "tão tristes e cantadores dos actos dos que caíram" para impedir que mais homens venham a cair no futuro próximo?
Infelizmente para nós, bombeiros, andarão estes senhores mais preocupados com os outros cargos a que chegaram depois de serem membros da Liga ou de outras entidades.
Pois é hora de estes senhores perderem a voz! É hora de estes trastes que pensam que eu sofro menos por me estarem a dizer que quem partiu foi um herói ou um homem exemplar perceberem que nós, familiares, queremos que isto não volte a acontecer! É hora da comunicação social fechar as portas a estes figurões! Por favor, calem o Presidente da Liga e impeçam que os seus "roncos" sejam ouvidos como palavras dos bombeiros!
quarta-feira, agosto 14, 2013
Repentes #33 - a racionalização do senhor Ministro
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| (Dados oficiais - recolhidos de 26 de Julho até 13 de Agosto) |
O senhor Ministro da Administração Interna veio ontem pedir a racionalização de meios no combate aos vários incêndios que lavram e lavraram no país. Ele quer que por cada incêndio sejam apenas colocados no terreno os meios necessários para o combater com eficiência. Nada mais certo, caro Macedo, se tudo se tratasse de um qualquer videojogo ou de poker!
Agora, eu também queria ganhar o euromilhões mas não consigo acertar com a chave vencedora! É que é difícil conseguir acertar em todas as conjugações sem gastar muito e muito dinheiro (já me disseram que é possível acertar, se cobrir todas as conjugações de chaves, mas isso custa mais do que qualquer prémio final).
Por isso, talvez o melhor seja mesmo fazer aquilo que o senhor Ministro também disse e que consiste em fazer junto dos proprietários uma campanha de sensibilização para prevenir comportamentos de risco. É que é um bocadinho estranho ver três ou quatro focos de incêndio a surgir num espaço de cerca de 2 (dois) quilómetros.
Caso precise de ideias, senhor Ministro, estou ao seu dispor para ajudar!
segunda-feira, agosto 12, 2013
Momentos em imagem #15 - o "benjamim" da casa inicial
É óbvio que há alguma "baba" envolvida, mas o que existe mais é confiança no trabalho que este meu pequeno irmão conseguiu ter até hoje. Teimosia, obstinação, alguma obsessão e muita confiança são características que lhe não faltam para levar esta sua "água até ao moinho", mas tudo com competência e capacidade evolutiva fora do normal. Desde logo, dedica-se a aprender para proteger os "outros" e, com certeza, irá no futuro ajudar ainda mais a tornar esta sociedade bem mais segura para todos.
Sim, sou um homem orgulhoso do irmão mas também do profissional! Esta imagem é da pequena reportagem que foi efectuada sobre a tese de mestrado do Hugo.
domingo, agosto 11, 2013
Acordos na Guarda? #9 - o perfil dos integrantes das listas (1)
Tenho andado, ainda sem ter na minha posse todos os "perfis", a olhar para a cronologia profissional e pessoal dos vários integrantes das listas à Câmara Municipal da Guarda, e tenho tido algumas felizes confirmações das motivações (ou dos empurrões) que muitos deles têm para serem candidatos. É fácil de fazer e qualquer um dos senhores leitores pode fazer o mesmo. Alguns ainda não têm um perfil muito claro, mas irá resolver-se esse pequeno pormenor em breve. Daqui a uns dias, quando as férias me derem um pouco de sossego, irei debruçar-me mais um pouco sobre este assunto e trarei aqui alguns dados mais concretos.
sexta-feira, agosto 09, 2013
quinta-feira, agosto 08, 2013
Pensalamentos #113 - a seca
A seca atinge a língua
desertificando a semântica
e emudecendo a palavra.
desertificando a semântica
e emudecendo a palavra.
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