sexta-feira, março 12, 2010

Os professores devem aprender a lidar com as provocações dentro da sala de aula?

Li, com atenção e redobrada sensibilidade (se é que é possível!), as notícias sobre o suicídio de um colega professor. Não me interessa o local onde aconteceu ou sequer a realidade social da escola em questão! Interessa-me, sim, saber como é possível que uma direcção escolar não sinta obrigação de defender o nome da escola e de agir sobre um comportamento agressivo! Como é possível que, depois de várias participações disciplinares, a solução apontada seja a de o professor alterar o seu comportamento em sala de aula, aprendendo a lidar com as provocações? Peço imensa desculpa a quem ler este "post", mas considero que é a maior estupidez que alguma vez ouvi na vida! Afinal, queremos criar uma geração de cidadãos responsáveis ou de desordeiros sem lei?

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

02. Crónica Altitude – Crónica relacional

1. Tenho tido, ao longo dos anos, a feliz oportunidade de conhecer pessoas diferentes, com trajectos de vida e visões do mundo completamente díspares. Essas pessoas e as histórias que carregam nunca são iguais, variando no contacto com culturas e experiências ao mesmo tempo que revelam horizontes literários ricos e impregnados de felizes constatações. O que as une, segundo o meu ponto de vista, são, por um lado, alguns traços aventureiros - capazes de causar admiração e de me levar a acreditar na autenticidade de cada jornada por elas percorrida - e, por outro, visões límpidas e desinteressadas da sociedade - enquanto espaço agregador da diferença e despoletador de oportunidades comuns. No seguimento destes pontos, quais serão então as características que mais admiro nas pessoas? Quais as capacidades de atracção que elas possuem e que me fazem ficar rendido? Ora bem, para começar gosto de pessoas que são coerentes, pois obedecem sempre a uma mesma linha de honestidade e não são, por isso, manuseáveis. Depois, prefiro pessoas que ajam segundo um sentimento de familiaridade, seguindo um conhecido ditado popular (tão ao meu gosto) - “Quem dá o pão, dá a educação!”. Seguidamente, agradam-me pessoas que sejam despretensiosas e que consigam colocar de parte o célebre discurso do “- Eu sou x!” ou “- Eu sou o magnífico y!”, sendo este discurso tão usual aqui pelas nossas encostas. Finalmente, um dos traços que mais aprecio num ser humano é a capacidade para ser isso mesmo, um ser humano, capaz de perceber o outro de forma honesta e sensível.


(...)

Guarda, 16 de Fevereiro de 2010
Daniel António Neto Rocha

(excerto da Crónica Radiofónica - Rádio Altitude, no dia 17 de Fevereiro de 2010 - disponível em podcast em Rádio Altitude)