quarta-feira, março 11, 2009

Ainda o tema do mundo: quantos são os filhos e quais são os enteados?

1. A dialéctica governamental baseia-se em grandes espectáculos retóricos e pouca actuação no campo. O anunciar, pela voz do Ministro da Administração Interna em finais do ano passado, de um grande investimento com verbas do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN) na estrutura da Protecção Civil foi visto como um balão de oxigénio para uma correcta e justa distribuição de meios e infra-estruturas por TODAS as partes de um todo que é a mesma Protecção Civil. O voltar à “vaca fria”, no passado dia 1 de Março de 2009, do Ministro Rui Pereira ao anunciar um investimento total de cerca de 45 milhões de euros até finais de 2010 é prometedor. Serão estas promessas “meras promessas eleitoralistas” que pretendem jogar com as necessidades que todos sentimos nas nossas corporações e pretendem o voto pela mera ilusão de um possível presente? Será um investimento onde? Será um investimento de 1 milhão numa dúzia de quartéis e depois alguns tostões para obras de beneficiação de alguns barracões que podem vir a ser um quartel?

(...)


Famalicão da Serra, 8 de Março de 2009
Daniel António Neto Rocha

(excerto do Texto publicado no sítio www.bombeiros.pt - 9 a 15 de Março de 2009, e disponível no link: http://www.bombeiros.pt/entrevista/entrevista.php?id=16)

E no futuro?

1. Num dia de Janeiro de 2035: Os dias frios deste Inverno rigoroso fazem com que os seres vivos que ainda conseguem resistir às contrariedades deste planeta em mutação se abriguem em espaços quentes ou aquecidos pela acção já inocente do Homem. Foi na longínqua entrada deste século que os cientistas e políticos (mais preocupados com a sobrevivência dos seus filhos e netos) começaram a incrível discussão que hoje ganhou contornos reais e apocalípticos. O que fazer com estes milhares de hectares de terra infértil e morta? O que fazer com as vítimas inocentes desta guerra que matou o equilíbrio da Terra? O que fez com que os valores morais voltassem a fazer sentido? O que fez com que estes exércitos, numa luta cruel pela sobrevivência, passassem a colaborar entre si de forma a proteger os poucos "oásis" de árvores que restam e que nos fornecem o precioso oxigénio? Pois é, hoje os dias são vividos com a mais alta tecnologia. Os nossos dias são alimentados por energia renovável, mas continuamos a depender daquilo que é mais antiquado e mais natural: o processo da fotossíntese. Hoje os exércitos que existem são os mais improváveis e aqueles que já desde há muitos anos tentavam defender com uma vontade férrea a vida do Homem. Daqui a uns meses, quando as temperaturas dos espaços exteriores alcançarem o calor real do Inferno, lá irão eles com os seus equipamentos e viaturas tentar preservar o pouco que resta das florestas globais. Hoje a Amazónia é uma imagem desoladora e cheia de esqueletos mortos. As florestas europeias são minúsculas ervas espalhadas por terrenos abandonados à sua sorte. Hoje percebemos: as nossas árvores são um bem precioso que merece ser guardado a sete chaves! É isso que estes homens e mulheres fazem hoje. Têm os equipamentos mais modernos de entre todos os que existem. Eles e os nossos exploradores galácticos, que tentam encontrar o dia de amanhã no espaço que não sabem ainda se existe. Estes exércitos são constituídos pelos descendentes daqueles que usavam um lema que muitos não percebiam: "vida por vida". Ainda hoje se chamam Bombeiros, em memória daqueles que passaram e que também procuravam a segurança do Homem. Ainda hoje correm em socorro daquilo que é mais precioso. São exércitos que não tiram nenhuma vida. Dão a sua vida pela vida de todos nós, enfrentando os calores infernais que o dia apresenta e que alimentam as chamas que consomem as poucas árvores que existem. Num mundo que teve a 3ª Guerra Mundial por causa das últimas gotas de petróleo existentes, reina hoje uma paz sombria e obrigada pela necessidade. Hoje a colaboração não é mera conveniência, mas sim uma questão de sobrevivência. Hoje estes modernos exércitos correm em defesa da sobrevivência global. E ontem?

2.Hoje, dia 12 de Janeiro de 2009: O texto que vos apresento no ponto anterior não é mais que uma mera chamada de atenção para uma questão que me preocupa e que preocupará (suponho!) milhares de pessoas por esse mundo fora. O que é mais importante: salvar o nosso ou salvar-nos? Não é mera questão linguística. Admito que não será também uma pergunta de fácil resposta. Aceito que seja passível apenas de uma mera imaginação dolente e, ainda, lírica! Mas não é uma questão que devemos fazer? O que interessará no amanhã longínquo possuir um grande arsenal de material bélico se a questão não estará no defendermo-nos de um inimigo que pretende subjugar-nos?! Estará sim a questão na necessidade de nos defendermos de nós próprios e dos nossos erros. O futuro está longe, pensamos. Mas será que está assim tão longe? Devemos aproveitar o dia de ânimo leve ou pressentindo o que virá? Amanhã o que hoje não tem interesse poderá ser uma questão fundamental e imprescindível à sobrevivência global! Amanhã os bombeiros de hoje poderão vir a ser os exércitos da "estória" que vos contei no ponto anterior!

Daniel António Neto Rocha
11/01/2009

(Texto publicado no sítio www.bombeiros.pt - 12 a 18 de Janeiro de 2009, e disponível no link: http://www.bombeiros.pt/entrevista/entrevista.php?id=9)

quinta-feira, junho 09, 2005

Era uma vez um país.

Não há muito tempo atrás (cerca de 650 anos!) existiu um Rei que acumulava riquezas. Os seus cofres estavam sempre cheios. Cobrava impostos e mantinha a lei segundo os seus preceitos. Ele tinha direito a receber impostos e a impor a lei! Ele era descendente de Reis. Assim se construiam castelos, palácios, pontes, estradas, etc. Essa época era chamada de Idade das Trevas, ou, de forma mais airosa, Idade Média. Nesse período havia o Rei e havia os senhores que rodeavam o Rei - era o Portugal Senhorial. Época de diferenças avassaladoras. A verticalidade económica era avassaladora. O desrespeito pelos pobres era mais que muito. Os Senhores mandavam e desmandavam ao sabor do vento. Morria-se de fome quando alguma intempérie destruia os cultivos. Morria-se de peste devido às, nenhumas, condições higiénicas.

Mas também nesse tempo se vivia ardentemente cada dia. A morte era certa. A vida nem por isso. Nesse tempo corria-se o país e pagavam-se impostos. A protecção comprava-se, em jeito de impostos.

Nesse país vivia gente. O Rei mandava e o povo sofria. O povo pagava para viver e morria.

Nesse país viviam analfabetos, não aspiravam a ser mais que bons pais de família e bons agricultores.

Nesse país a mentira vinha de cima. A mentira vinha do Rei e dos Senhores.

Nesse país não viviam pessoas, viviam mortos.

Nesse país vivia o medo. Vivia o desejo de não morrer. Vivia a vida curta.

Nesse país vivia alguém. Não sei quem, mas vivia!

Nesse país vivo em sonhos, em devaneios de peste e de cataclismos. Sonhos transformados em pesadelos num desejo de revolta.

Nesse país vivo eu agora!

quarta-feira, março 02, 2005

Porque a turba não se acalma.

Diz-se, em locais visitados por sábios e simples curiosos, que a remissão (voluntária) de algumas pessoas ao, por vezes desconfortável, silêncio será sinal de fraqueza. Pois para mim será vontade em que a tempestade passe. Que ela provoque estragos. Que ela destrua tudo o que conseguir. E que ela acabe.

Quem se conseguir safar do silêncio da vida e se revoltar contra "a lei da morte" avaliará os estragos provocados.

Não é para nós, leitores da sociedade em que vivemos (que é para mim o mundo), indiferente a passagem de um cataclismo sobre uma parte do planeta. No entanto, o que se poderia fazer para ajudar as pessoas que sofriam esse cataclismo no exacto momento em que ocorria? Nada. Apesar de palavras cruéis compreendo que em todas as guerras existem baixas. Assim como em todos os acidentes naturais existem baixas. Isto é regra "sine qua non" em qualquer cataclismo.

Os que se perguntam onde quero chegar com estas palavras não se apoquentem, pois logo serão explicadas.

Do vosso